Política

Ministros do STF querem julgar Lei da Dosimetria após as eleições e encurtar pena de Bolsonaro

Cálculo interno é que a norma reduz o tempo de prisão sem obrigar a Corte a desmontar a condenação da trama golpista
Fachada do STF com estátua da Justiça remete ao julgamento da Lei da Dosimetria no tribunal

Uma ala do Supremo Tribunal Federal trabalha para que as ações contra a Lei da Dosimetria sejam julgadas somente depois das eleições — e enxerga na norma o caminho mais viável para reduzir o tempo de prisão de Jair Bolsonaro, segundo apuração do g1.

A avaliação é pragmática: a lei encurta as penas da trama golpista e do 8 de janeiro sem obrigar a Corte a desmontar a própria condenação, como exigiriam os pedidos de revisão criminal apresentados pela defesa.

Por que a dosimetria virou o caminho mais curto

Nas contas desses ministros, há maioria formada para manter a Lei da Dosimetria de pé, no máximo com ajustes pontuais. Já a revisão criminal esbarraria em um obstáculo maior: anular a condenação significaria derrubar o entendimento fixado pela Primeira Turma, que julgou e condenou os réus do golpe.

O efeito prático não é pequeno. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses. Pelos cálculos da própria defesa, a aplicação da nova dosimetria reduziria essa pena em algo entre 2 anos e 5 meses e 3 anos — e o mesmo desconto alcançaria aliados e condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A lei está parada desde maio

Aprovada em 2025, a norma foi vetada integralmente por Lula, teve parte do veto derrubada e acabou promulgada pelo próprio Congresso. Partidos e entidades levaram as novas regras ao Supremo, e o relator, Alexandre de Moraes, suspendeu a aplicação da lei em maio até que o plenário decida sobre sua validade.

O caminho para esse julgamento já estava formalmente liberado desde junho, quando a Procuradoria-Geral da República se posicionou contra a suspensão, por não identificar, naquele momento, desvio de finalidade na construção da lei. Falta a liberação do relator e, depois, uma data marcada pelo presidente da Corte, Edson Fachin — cobrança que aliados de Bolsonaro já faziam publicamente em agosto.

A revisão criminal não saiu do radar

Em outra frente, o ministro Kassio Nunes Marques sinalizou que pode levar ao plenário os pedidos de revisão criminal de Bolsonaro depois do segundo turno. A interlocutores, ele tem dito que o tema precisa ser enfrentado. Uma das ações, porém, ainda aguarda parecer da PGR para poder ser julgada.

O primeiro pedido de anulação foi protocolado em maio. O novo, apresentado na semana passada, aposta em argumentos inéditos: um parecer técnico que aponta falhas na cadeia de custódia das provas e limitações para verificar parte do material digital usado no processo. Há ainda menções à crise do caso Master, incluindo declarações de Moraes sobre o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro.

O que pesa contra

A revisão criminal existe para corrigir erros judiciários e exige provas novas capazes de sustentar a inocência — régua alta. A Procuradoria vai avaliar se o que a defesa levantou justifica reabrir o caso. O histórico recente não ajuda os advogados: em junho, o procurador-geral Paulo Gonet defendeu a rejeição do primeiro pedido, por entender que não havia fatos novos ali.