O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deve receber na próxima terça-feira (13) relatórios da Polícia Federal que mencionam integrantes da própria Corte no caso Master.
Segundo apuração do g1, pelo menos seis dos dez ministros do STF aparecem citados, em graus diferentes, ao lado de parentes — além de referências a integrantes do STJ e do TST. Em ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin escreveu que nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração.
Uma cadeia de citações que começou em abril de 2025
A primeira ligação entre o Supremo e o Banco Master veio à tona em abril de 2025, com a revelação de que o escritório da mulher de Alexandre de Moraes havia sido contratado pela instituição para atuar em algumas ações. Em dezembro, o contrato foi apontado em cerca de R$ 130 milhões.
Neste ano, a PF indicou que o ministro foi interlocutor de ao menos 52 mensagens de Daniel Vorcaro, inclusive no dia em que o banqueiro foi preso. A apuração contra Moraes segue travada desde setembro por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, com prazo que só vence depois das eleições.
Depois apareceram negócios de Dias Toffoli com fundos do Master na sociedade de um resort da família do ministro no Paraná — o que o levou a deixar a relatoria do caso e a se declarar suspeito para analisar questões da investigação na Segunda Turma. No mês passado, mensagens citaram envolvimento do ministro Nunes Marques e de um filho dele, também em contratações, e do filho do ministro Luiz Fux, por suposto pedido de ajuda em um processo.
Sobre André Mendonça, circularam uma foto com o advogado de Vorcaro, um encontro com o banqueiro e um pedido de investigação de possível relação entre o Banco Master e o Instituto Iter, ligado ao ministro. Também foi identificada a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes, por Vorcaro, além de uma reunião e tentativas de aproximação. Todos os ministros e familiares negam irregularidades ou envolvimento com o banqueiro.
Duas alas e uma saída pela PGR
Até agora o foco da crise estava em Moraes e Mendonça, que ao reagirem às costuras internas expuseram publicamente a divisão do tribunal. A ala de Moraes defende que nada avance antes do fim das eleições e sustenta que, com um quadro completo do que a PF entende ter reunido contra cada integrante, cabe à Presidência dar o mesmo tratamento a todos os citados.
Nos bastidores, aliados de Moraes e de Mendonça dizem reservadamente que o melhor caminho seria enviar os elementos à Procuradoria-Geral da República, sem vincular a medida ao procurador-geral Paulo Gonet — também citado no caso e que teve uma apuração rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público. Além de respaldar o Supremo com uma análise técnica, o encaminhamento ganharia tempo para novas tentativas de composição interna, apontada como de difícil solução.
Foi o próprio Fachin quem, no início da crise, deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF prestassem os primeiros esclarecimentos, e semanas depois ex-ministros e juristas passaram a pressioná-lo publicamente pela abertura formal de investigação sobre as ligações entre Vorcaro e a Corte.
A própria PF avalia que o encontro pode resolver divergências provocadas pelo caso e pavimentar a retomada das investigações — nas últimas semanas, a corporação trabalhou para individualizar cada citação. Ministros relatam leve melhora no clima após o primeiro turno, mas Mendonça e Moraes continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.