O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, recebeu neste domingo (13) uma nova nota de apoio de ex-ministros, juristas e empresários para garantir a realização da sessão desta terça-feira (15).
O plenário vai analisar a investigação sobre as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no centro da crise que atinge o STF.
Assessores de Fachin esperam que a pressão evite a suspensão da sessão e resulte na abertura formal de uma investigação, conduzida pelo próprio presidente para garantir independência.
Documento cobra decisão e cita embate entre ministros
A nova manifestação de apoio a Fachin foi articulada para enviar um recado a ministros do Supremo que defendem, em último caso, a nulidade do processo aberto contra Moraes. Segundo assessores ouvidos pelo blog, o grupo avalia que os fatos são graves demais para “serem varridos para debaixo do tapete”.
A avaliação de que a apuração precisa ser conduzida pelo próprio presidente do STF ganhou força depois do embate público entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foi justamente Mendonça quem, dias antes, transferiu a Fachin a decisão sobre o formato da apuração, ao encaminhar o caso ao plenário — e o presidente do STF optou pela realização de uma sessão pública.
A crise ganhou dimensão pública há menos de duas semanas, quando um levantamento da Polícia Federal mapeou oito encontros entre Vorcaro e Moraes, transformando o caso em pressão irresistível por uma apuração formal dentro do tribunal.
O documento assinado neste domingo (13) afirma que as revelações sobre as relações entre ministros do Supremo e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro compõem a “mais grave crise da história do Supremo” e da história republicana do Brasil. Para os signatários, a apuração dos fatos e a responsabilização de quem eventualmente violou a lei são indispensáveis para recobrar a confiança nas instituições e preservar a democracia.
Ex-ministros do STF devem acompanhar sessão no plenário
A nota é assinada por ex-ministros dos governos FHC, Lula e Dilma, além de juristas, empresários e lideranças da sociedade civil. Segundo o texto, parte dos signatários pretende acompanhar pessoalmente a sessão desta terça-feira (15), no plenário do STF.
O movimento marca uma mudança de estratégia do grupo que acompanha o caso desde o início do ano: em março, Fachin ainda tentava conter nos bastidores a crise ligada ao caso do Banco Master; agora, o mesmo grupo cobra publicamente uma decisão definitiva.
Para os assessores de Fachin, a expectativa é que a pressão externa reduza as chances de adiamento e force o plenário a votar, nesta terça-feira, o rito de apuração das mensagens entre Vorcaro e Moraes.