A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao ministro Edson Fachin, do STF, que abriu apuração sobre a conduta da Polícia Federal na elaboração do relatório que relacionou o ministro Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.
A apuração, prevista no controle externo da atividade policial, deve esclarecer se houve “ordem ou interferência externa” que tenha “maculado” o conteúdo do documento produzido pela corporação.
O que motivou a apuração
A abertura da investigação sobre a PF ocorre dias depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da corporação que expõe mensagens e contatos entre Vorcaro e Moraes. Nas conversas, obtidas no celular do ex-dono do Banco Master, o ministro do STF aparece discutindo com o banqueiro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria o próprio Vorcaro como alvo.
Os diálogos, segundo o documento, também revelam compromissos pessoais, reuniões em residências privadas e participação conjunta em eventos no Brasil e no exterior — entre eles o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 com patrocínio do Banco Master. Assessores discutiam convites a autoridades, programação de painéis e até logística de transporte para ministros do Supremo.
Ao repassar o caso a Fachin, Mendonça sugeriu que os elementos dos relatórios da PF fossem avaliados pelo plenário da Corte. A apuração da PGR foi desencadeada três dias antes, quando Mendonça retirou o sigilo do relatório e cobrou formalmente esclarecimentos da Procuradoria sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
O procurador-geral Paulo Gonet, citado nos relatórios tornados públicos, já havia se manifestado sobre o caso antes de a PGR abrir a apuração contra a PF. Em resposta a Mendonça, Gonet declarou nula a investigação, argumentando que qualquer apuração envolvendo um ministro do STF deveria ir diretamente ao plenário da Corte — posição que agora convive com a nova frente aberta pela própria PGR contra a PF.
A procuradoria informou ainda não ter sido comunicada sobre a determinação de Mendonça antes da divulgação do relatório, o que reforça o caráter reativo da apuração agora aberta.
Não é a primeira vez que a conduta interna da PF na Operação Compliance Zero é colocada em xeque: em maio, um perito criminal da corporação já havia sido investigado por suspeita de vazar dados sigilosos do próprio caso. O material segue agora também sob análise da PGR, a pedido de Fachin.