Política

TSE define reunião para discutir regras de IA nas eleições

Ministros vão marcar data de julgamento sobre deepfake de Bolsonaro exibida na convenção de Flávio
TSE debate uso de IA nas eleições após deepfake de Bolsonaro em convenção de Flávio

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, convocou os demais ministros da corte eleitoral para uma reunião nesta quinta-feira (13), logo após a sessão plenária, para debater o uso de inteligência artificial nas eleições.

O encontro deve definir a data de julgamento da ação movida pelo PT contra o vídeo com deepfake de Jair Bolsonaro exibido na convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

O que motivou a ação do PT

O PT recorreu ao TSE depois que a convenção do PL, realizada em 25 de julho, exibiu um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. Para a legenda, o conteúdo ultrapassou os limites permitidos para divulgar uma candidatura e configurou propaganda eleitoral antecipada.

Na peça, a versão digital de Bolsonaro afirma: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial (…) eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos”.

Segundo o partido, o vídeo fez referência direta ao cargo em disputa e usou expressões equivalentes a um pedido explícito de voto. A ação sustenta ainda que as normas do TSE vedam o uso de conteúdo sintético para favorecer uma candidatura, mesmo quando a imagem ou a voz reproduzidas têm autorização do titular.

A defesa de Flávio contesta o enquadramento como deepfake

Os advogados de Flávio Bolsonaro negam que o vídeo configure pedido de voto do pai, argumentando que a lei eleitoral não foi violada porque o uso da tecnologia foi informado ao público, sem simular transmissão ao vivo ou presença física de Jair Bolsonaro. Em manifestação anterior ao TSE, a defesa já comparava o avatar à “versão moderna de bonecos de papel e máscaras”, recursos tradicionais de campanha.

Dias após a convenção, o próprio Flávio revelou que o pai não sabia do vídeo, e a defesa de Jair confirmou ao STF que ele não autorizou o uso de sua imagem.

O caso é só um capítulo de uma disputa que já atravessa toda a pré-campanha: levantamento do Observatório IA nas Eleições aponta alta de 50% no uso de conteúdo sintético em 2026, com 45% das peças contendo informações falsas e 73% sem identificação obrigatória.

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