Política

PL confirma Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República

Convenção em São Paulo reúne discurso de Milei, vídeo de Michelle e tumulto na entrada com lotação máxima
Flávio Bolsonaro é confirmado candidato à Presidência em convenção do PL com apoio de Milei

O Partido Liberal (PL) lançou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República — a primeira disputa presidencial do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A convenção, iniciada por volta das 11h, reuniu discursos de lideranças do partido e do presidente argentino Javier Milei, além de tumulto na entrada, quando apoiadores lotaram o espaço com capacidade máxima de 150 pessoas.

Vice ainda indefinido e disputa por alianças

Flávio chegou à convenção sem anunciar companheiro de chapa. Ele já disse que gostaria de uma mulher no posto, mas afirma que a escolha depende das negociações para formar alianças — que também podem ampliar o tempo de propaganda no rádio e na TV. A indefinição sobre a vice já se arrastava desde o início das convenções, quando nomes como Simone Marquetto e Daniella Marques passaram a ser cotados para a chapa.

A federação formada por PP e União Brasil e o partido Republicanos vêm indicando preferência pela neutralidade. Um acordo com o Republicanos poderia levar a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora do núcleo econômico da pré-campanha, à vaga de vice. No PP, um dos nomes cotados é o da deputada federal Simone Marquetto. A senadora Tereza Cristina já descartou compor a chapa. Se não fechar coligações, o PL — maior bancada de deputados e senadores do Congresso — pode lançar uma chapa “puro-sangue”, com Flávio e mais um nome da sigla, decisão que tem prazo até 15 de agosto.

Milei no palco e bastidores da convenção

A presença de Milei no evento já rendeu reação do Palácio do Planalto, que avisou que vai rebater qualquer fala do argentino sobre política interna brasileira. Michelle Bolsonaro, por sua vez, não participou presencialmente, mas gravou um vídeo exibido durante o evento e foi homenageada com um totem no espaço do PL Mulher. Já Rogéria Bolsonaro, mãe do senador e primeira suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa pelo Senado no Rio, foi apresentada no palco pelo mestre de cerimônias.

Queda nas pesquisas e cerco judicial

Em dezembro, quando Flávio anunciou a candidatura como escolha do pai para representar a família, a Quaest já o apontava como segundo colocado e principal adversário de Lula, com intenções de voto entre 21% e 27% no primeiro turno. O desempenho melhorou até o pico de 33% em maio, contra 39% de Lula, mas desabou após o caso “Dark Horse” — quando veio à tona que o senador cobrou dinheiro do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Na pesquisa deste mês, Flávio aparece com 28% no primeiro turno, doze pontos atrás do presidente.

Na quinta-feira (23), o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a investigar se os repasses de Vorcaro bancaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Outro inquérito, aberto pelo ministro Flávio Dino, apura desvio de emendas parlamentares em favor da produtora do filme. Dias antes, Alexandre de Moraes havia proibido Flávio de visitar o pai por 90 dias, após o senador divulgar uma carta em que Jair Bolsonaro o indicou como porta-voz — episódio que levou o PT a pedir ao STF a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente.

Reconciliação com Michelle e promessa de anistia

A briga com Michelle Bolsonaro, motivada por divergências sobre alianças no Ceará, chegou a preocupar aliados do senador por causa da influência da ex-primeira-dama entre mulheres e evangélicos. Nesta quinta, Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas e convidando a madrasta para participar da campanha; ela respondeu aceitando o pedido. Candidato, Flávio afirma que trabalhará pela anistia do pai, condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, e já disse esperar receber a faixa presidencial das mãos de Jair Bolsonaro em uma eventual posse.

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