Política

Presidenciáveis usam IA em jingles, sátiras e ataques na pré-campanha

Levantamento aponta alta de 50% em conteúdos com IA e falta de aviso em 73% dos casos
Bolsonaro e Alexandre de Moraes em colagem editorial sobre o uso de IA na pré-campanha eleitoral

A pré-campanha para as eleições de 2026 já registra um salto no uso de inteligência artificial: presidenciáveis, partidos e apoiadores recorrem à tecnologia para produzir jingles, sátiras, cenas fictícias e ataques políticos.

Levantamento do Observatório IA nas Eleições mostra alta de 50% na produção diária desse tipo de conteúdo em relação a 2024. Do total analisado, 45% traziam informações falsas e 73% não indicavam o uso da tecnologia.

Flávio Bolsonaro lidera o uso da tecnologia

Entre os presidenciáveis, Flávio Bolsonaro (PL) é quem mais recorreu à IA: lançou um jingle para seus eventos, apareceu como piloto de caça em vídeo sobre combate a facções e como personagem que prende um ladrão de celular, peça usada para divulgar projeto que endurece a pena para o crime. Na convenção do PL, um vídeo com voz e imagem sintéticas de Jair Bolsonaro o apresentou como apoiador da candidatura do filho. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu 48 horas para a defesa do ex-presidente informar se autorizou o uso de sua imagem, e a resposta foi negativa.

Romeu Zema (Novo) publicou um clipe em que canta sobre Minas Gerais e usou fantoches de Lula e ministros do Supremo em tom crítico, inicialmente sem aviso de IA. Ronaldo Caiado (União Brasil) usou imagens sintéticas em peças sobre segurança pública, e Renan Santos (Missão) produziu vídeo com IA a partir de foto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A tecnologia também aparece no entorno de Lula (PT): parlamentares do partido recontaram sua trajetória com cenas geradas por IA, e o próprio perfil do presidente compartilhou um vídeo com voz sintética, mesmo após ele defender a proibição da ferramenta nas eleições.

Regras do TSE e limites para eleitores

As exigências de identificação já valem na pré-campanha, segundo a advogada eleitoralista Emma Roberta Bueno. Peças com IA precisam avisar, de forma explícita, que foram fabricadas ou manipuladas. Já as deepfakes usadas para favorecer ou prejudicar uma candidatura são proibidas mesmo com autorização da pessoa retratada — como mostra a disputa em torno do vídeo exibido na convenção do PL, que motivou pedido do PT ao TSE por retirada do conteúdo e multa de R$ 30 mil.

Conteúdos publicados por eleitores e redes de apoiadores também estão sujeitos às regras eleitorais. Em casos graves, podem levar à investigação da campanha beneficiada e, dependendo das provas reunidas, responsabilizar diretamente o pré-candidato.

Um episódio nas eleições legislativas de Buenos Aires, em 2025, ilustra o risco: horas antes da votação, deepfakes simularam que Mauricio Macri e Silvia Lospennato anunciavam apoio a Manuel Adorni. Para 2026, o TSE proibiu novos conteúdos sintéticos com candidatos nas 72 horas anteriores à votação, mesmo quando o uso de IA é informado.

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Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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