A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) negou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o vídeo criado por inteligência artificial exibido na convenção do PL, no último sábado (25), configure pedido de voto do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo os advogados, o uso da tecnologia foi informado ao público, e o evento, em São Paulo, foi fechado a filiados, delegados e convidados — não ao eleitorado em geral.
As explicações foram enviadas ao ministro Kássio Nunes Marques após ação da Federação Brasil da Esperança, protocolada no domingo (26).
Sem ocultar a tecnologia, diz defesa
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que o vídeo não violou a lei eleitoral, já que não escondeu o uso da inteligência artificial: o público foi avisado de que não se tratava de presença física, transmissão ao vivo ou gravação autêntica de Jair Bolsonaro. Por isso, a defesa sustenta que a peça não se enquadra no conceito de deepfake, tipo de conteúdo criado para simular falas ou imagens de alguém com aparência de autenticidade sem aviso ao espectador.
Comparação com máscaras e bonecos
Segundo o documento enviado ao TSE, o avatar “nada mais é do que a versão moderna e tecnológica daquilo que sempre foi usado em eventos partidários e eleitorais como bonecos de papel, imagens em cartazes e até em máscaras, camisas, com mensagens de apoio”. A defesa também citou peças da campanha de 2018 com o slogan “Haddad é Lula e Lula é Haddad” para argumentar que transferir apoio político entre lideranças é prática comum no país.
A representação que motivou a resposta foi movida pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que pede a retirada do vídeo, a proibição de novas divulgações e multa de R$ 30 mil por publicação — conforme detalha a ação protocolada contra o PL e Flávio Bolsonaro no domingo (26).
O caso está sob relatoria do ministro Kássio Nunes Marques, do TSE, que deve avaliar se o uso do avatar de Jair Bolsonaro configura propaganda eleitoral antecipada e se houve irregularidade no emprego da inteligência artificial durante a convenção do PL.
A controvérsia não é inédita: semanas antes, o PT já havia acionado o TSE contra outro vídeo em que Flávio Bolsonaro aparecia recriado por IA como militar atirando contra facções. O próprio Lula já recusou usar inteligência artificial para substituir sua imagem em campanha, episódio que reforça o debate sobre os limites da tecnologia na disputa eleitoral.
Enquanto o TSE não decide, o episódio deve alimentar a discussão sobre regulação do uso de IA na política brasileira, especialmente às vésperas da corrida presidencial de 2026, com Jair Bolsonaro preso e Flávio Bolsonaro consolidando sua pré-candidatura ao Planalto.
