Política

TSE forma maioria para livrar Flávio Bolsonaro de multa por vídeo com IA

Defesa argumentou que gravação com imagem de Jair Bolsonaro, exibida em evento fechado do PL, não pedia voto ao eleitorado
Flávio Bolsonaro em retrato formal com sede do TSE ao fundo, em referência à multa Flávio Bolsonaro vídeo IA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria de votos nesta terça-feira (1º) para rejeitar a aplicação de multa ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, por um vídeo com inteligência artificial que reproduziu a voz e a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A peça foi exibida na convenção partidária que confirmou a candidatura do senador ao Planalto, e o colegiado avaliou que o caráter fechado do evento afasta a configuração de propaganda dirigida ao eleitorado.

A maioria seguiu o voto do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, relator do caso, para quem a manifestação de apoio político dentro de uma convenção partidária não se confunde com propaganda ao eleitorado, mesmo quando o evento é transmitido pela internet.

O argumento da defesa

A ação que chegou ao plenário foi movida pela Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV —, que pediu a retirada do vídeo e multa de R$ 30 mil por considerar o conteúdo propaganda eleitoral antecipada. Em resposta, a defesa de Flávio sustentou que o vídeo não configurava pedido de voto justamente por ter circulado apenas entre filiados e delegados — tese que a maioria do tribunal acabou acatando.

Segundo Nunes Marques, o artigo 36-A da Lei 9.504/1997 preserva espaço para divulgação de pré-candidaturas e pedido de apoio político, desde que não haja pedido explícito de voto ao eleitorado em geral.

Vídeo usa prisão de Bolsonaro como argumento

Na gravação, a imagem do ex-presidente diz estar “preso e calado por uma decisão arbitrária” e afirma que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança”, pedindo que apoiadores recebam Flávio “de braços abertos” como candidato à Presidência.

A decisão desta terça-feira é considerada um primeiro balizamento do TSE sobre o uso de inteligência artificial em atos internos de partidos, tema que ganhou urgência com o avanço de conteúdos sintéticos na campanha de 2026. Em agosto, o próprio Kássio Nunes Marques havia convocado uma reunião interna para debater regras específicas sobre IA nas eleições, encontro que precedeu o julgamento concluído agora.