A decisão unânime do STF de condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo extrapolou as fronteiras do noticiário brasileiro — e mobilizou redações de três continentes.
A Primeira Turma do Supremo entendeu que o ex-deputado articulou pressões sobre o governo Trump, a partir dos EUA, para tentar impedir o julgamento do pai — o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e hoje em prisão domiciliar humanitária.
O britânico The Guardian situou o caso em perspectiva familiar: o ex-deputado teria se mudado para os Estados Unidos em 2025, meses antes do julgamento que levou à prisão do pai, e passou a angariar apoio do governo Trump para a causa. Em julho do ano passado, um ministro do STF ordenou o congelamento de contas e bens de Eduardo, alegando que recursos enviados por Jair financiavam essas articulações.
O Times, de Londres, escolheu o ângulo do lobby: “Filho de Jair Bolsonaro é condenado por fazer lobby nos EUA em relação a julgamento sobre golpe.” Já a Al Jazeera contextualizou a sentença como “o mais recente revés jurídico para a família Bolsonaro, que continua sendo uma força dominante da direita na política brasileira”.
A NBC News americana deu espaço à defesa, ressaltando que os advogados de Eduardo contestaram o veredito por ausência de provas. O canal confirmou que o ex-parlamentar reside no Texas desde fevereiro de 2025. A agência Reuters foi direta ao impacto eleitoral: a condenação torna Eduardo inelegível por oito anos, retirando-o da disputa de 2026.
A Reuters também lembrou que a Câmara já havia destituído Eduardo do mandato e cortado seu salário em dezembro, após ele faltar a mais de um terço das sessões deliberativas no ano passado.
O Tropiquim publicou os detalhes da condenação horas antes da repercussão internacional, incluindo a multa de R$ 150 mil e a menção do ministro Alexandre de Moraes ao “pix de milhões” enviado por Jair ao filho.
O caso de Eduardo Bolsonaro ilustra como a crise política brasileira se internacionalizou. A escolha de viver nos Estados Unidos deu à trajetória do ex-deputado uma dimensão que transbordou o noticiário doméstico e entrou na pauta de veículos de Londres, Nova York e Doha.
Duas semanas antes da repercussão global, o Tropiquim já antecipava o julgamento e a acusação central: Eduardo teria usado contatos no governo Trump para pressionar ministros do STF a não condenarem o pai.
Ainda na tarde de terça-feira, Eduardo reagiu publicamente. Em declaração analisada pelo Tropiquim, ele chamou a sentença de “sem pé nem cabeça” e afirmou que o processo visa afastá-lo das eleições de 2026 — a mesma linha de contestação sustentada por seus advogados diante da imprensa americana.
Para a Al Jazeera, a família Bolsonaro “continua sendo uma força dominante da direita na política brasileira” — avaliação que ganha peso diante da inelegibilidade do filho e da prisão domiciliar do pai, dois personagens centrais de um capítulo ainda aberto da história política do país.