Eduardo Bolsonaro recebeu o green card, permissão de residência permanente nos Estados Unidos, concedida pelo governo de Donald Trump. O documento, confirmado por fontes próximas ao ex-deputado cassado, foi antecipado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (20).
A concessão ocorre em meio à escalada de tensão diplomática entre Brasil e EUA, que impôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros na semana passada, e um mês após o STF condenar Eduardo a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo.
Condenação por coação embasou decisão do STF
No mês passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a Corte, ficou comprovado que o ex-deputado atuou em solo americano para tentar interferir no julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a denúncia aceita pelo STF, Eduardo admitiu ter articulado junto a integrantes do governo dos Estados Unidos a adoção de sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país — elementos que a própria Corte usou para fundamentar a pena.
A obtenção do green card não é um episódio isolado. Dias antes, Eduardo já havia cobrado publicamente dos EUA o retorno da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, reforçando um padrão de atuação contínua em território americano contra autoridades do Judiciário brasileiro.
Tarifaço e disputa diplomática seguem no fundo do caso
O visto de permanência chega dias depois de o governo Trump anunciar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, medida que a Casa Branca associou publicamente à condenação de Jair Bolsonaro pelo STF. A tensão comercial não é recente: no início de julho, o Brasil chegou a entregar um ‘mapa do caminho’ ao USTR na tentativa de evitar tarifas que, somadas, poderiam chegar a 37,5% sobre as exportações brasileiras.
A concessão do green card a um condenado pela Justiça brasileira deve alimentar o desgaste entre Brasília e Washington, já que reforça a leitura de que o governo americano trata o caso Bolsonaro como parte central de sua política em relação ao Brasil.
