Jair Bolsonaro agradeceu publicamente ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, por uma manifestação de apoio nas redes sociais nesta segunda-feira (7). Trump defendeu Bolsonaro, atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que ele é alvo de perseguição política. O episódio gerou reações no governo brasileiro e entre aliados de Bolsonaro.
Repercussão da manifestação de Trump
Em sua publicação, Donald Trump declarou que o Brasil estaria fazendo “algo terrível” ao tratar o ex-presidente, que responde a processo no STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Trump afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada” e prometeu acompanhar de perto a situação no Brasil. Bolsonaro, por sua vez, agradeceu ao “ilustre presidente e amigo” e comparou sua situação à de Trump, dizendo que ambos foram “implacavelmente perseguidos”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio, afirmando que o Brasil não aceita “interferência ou tutela de quem quer que seja”, sem citar diretamente Trump. Já a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, sugeriu que Trump deveria focar nos problemas dos EUA.
Posicionamento de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado e filho do ex-presidente, também comentou a publicação, dizendo não poder dar mais detalhes, mas sugerindo que “não será a única novidade vinda dos EUA”. Eduardo está morando nos Estados Unidos e é alvo de inquérito no STF, suspeito de tentar influenciar o governo norte-americano a impor sanções contra ministros do Supremo.
Processos e acusações contra Bolsonaro
Em março, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, tornar réus Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe em 2022. O ex-presidente prestou depoimento em 10 de junho, negou as acusações e afirmou não ter envolvimento com planos ilegais, admitindo apenas exageros na retórica contra o sistema eleitoral.
Em 27 de junho, a ação penal sobre a participação do núcleo político e operacional na trama golpista avançou para a fase final no STF, com o ministro Alexandre de Moraes encerrando a instrução processual e abrindo prazo para alegações finais.
Até o momento, 497 pessoas foram condenadas pelo STF por tentativa de golpe de Estado em 2022, por crimes como abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e associação criminosa. Oito foram absolvidas. Em julgamentos de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral tornou Bolsonaro inelegível por 8 anos, devido a abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação, especialmente após reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, transmitida pela TV oficial do governo.