Política

EUA acusam STF de ‘perseguição jurídica’ após condenar Eduardo Bolsonaro

Departamento de Estado americano reagiu à sentença que condenou o ex-deputado a 4 anos por coação
Retrato de Eduardo Bolsonaro com STF ao fundo, ilustrando nota EUA que acusa perseguição

O governo dos Estados Unidos reagiu com críticas abertas à condenação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O Departamento de Estado americano classificou a decisão do STF como “perseguição e manipulação jurídica”.

Na terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou o ex-deputado, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. O crime: coagir ministros e articular sanções norte-americanas contra o Brasil para blindar o pai, Jair Bolsonaro.

O que levou à condenação

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, reconheceu os elementos que comprovam que Eduardo praticou coação no curso do processo, acompanhando integralmente a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a procuradoria, Eduardo atuou junto ao governo Trump para criar um clima de instabilidade e temor, projetando retaliações estrangeiras contra ministros do STF e contra o país. A meta era impedir que Jair Bolsonaro fosse condenado na chamada trama golpista — o que não funcionou: o ex-presidente foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão e cumpre prisão domiciliar.

A PGR reuniu declarações em entrevistas, postagens em redes sociais e mensagens trocadas entre pai e filho como prova das articulações nos Estados Unidos. Para a procuradoria, Eduardo buscou sobrepor os interesses da família às normas do devido processo legal e ao bom ordenamento da Justiça.

A manifestação americana chega dois dias após a Primeira Turma condenar Eduardo por unanimidade a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, com multa de R$ 150 mil.

Trump confunde os filhos de Bolsonaro

Na quarta-feira (17), um dia após a condenação, o presidente Donald Trump foi questionado sobre sua interação com Lula pela repórter da TV Globo Bianca Rothier, durante coletiva à imprensa na cúpula de Évian, na França. Trump pareceu confundir os filhos de Jair Bolsonaro — Flávio e Eduardo —, sem deixar claro a qual dos dois se referia.

Eduardo Bolsonaro já havia chamado o julgamento de arbitrário imediatamente após a formação da maioria, acusando o STF de querer retirá-lo da disputa de 2026 — narrativa que agora encontra respaldo oficial em Washington.

Defesa pediu absolvição

Eduardo Bolsonaro não indicou advogado particular. A defesa ficou a cargo do defensor público Esdras dos Santos Carvalho, que pediu a absolvição por falta de provas. A Defensoria Pública da União (DPU) arguiu que questões processuais — entre elas a participação do ministro Moraes no julgamento — justificariam a anulação de todo o processo.

A manifestação do Departamento de Estado se soma à atenção internacional que a sentença já havia despertado, com cobertura de veículos em três continentes nas horas seguintes ao veredicto.

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