A campanha de Romeu Zema (Novo) anunciou nesta terça-feira (4) que o senador Eduardo Girão (Novo-CE) será o candidato a vice-presidente na chapa presidencial. A decisão foi tomada após uma série de conversas entre os dois e integrantes da direção nacional do partido — e veio horas antes do prazo que o próprio Zema havia se dado para fechar a escolha.
Com o anúncio, Girão deverá desistir da candidatura ao governo do Ceará, lançada no início de julho. A escolha forma uma chapa inteiramente composta por integrantes do Novo, como Zema havia antecipado mais cedo em sabatina promovida pelo G4 e O Antagonista, em São Paulo.
Ficha limpa é prioridade na escolha
Na sabatina, Zema havia afirmado que definiria o vice até esta quarta-feira (5) e que o critério central era ser “ficha limpa”, alguém que represente um contraponto a um governo que, segundo ele, cede a pressões por ter familiares e aliados envolvidos em escândalos — referência direta ao presidente Lula.
Antes da escolha de Girão, outros nomes foram avaliados para a chapa. Tiago Mitraud (Novo) chegou a ser cogitado, mas foi escolhido para disputar o governo de Minas Gerais como vice de Mateus Simões (PSD). O empresário Geraldo Rufino (Podemos), citado publicamente por Zema, optou por concorrer ao Senado por São Paulo.
Zema negou dificuldade para fechar a chapa apenas com o Novo. Lembrou que, na reeleição para o governo de Minas em 2022, mesmo com chapa pura, fechou alianças com nove partidos ao longo do mandato.
Quem é Eduardo Girão
Eleito senador pelo Ceará em 2018 com 1,3 milhão de votos — superando o então presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB) —, Girão ingressou no Novo em fevereiro de 2023 e se tornou o primeiro senador do partido. A aproximação com Zema é anterior à campanha presidencial: em julho de 2026, Zema participou do lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do Ceará, quando os dois criticaram o PT e defenderam mudanças na gestão pública.
Na economia, Girão defende redução do tamanho do Estado, corte de cargos comissionados e diminuição de impostos. É contrário à descriminalização do aborto, à legalização das drogas para uso recreativo e à liberação dos jogos de azar. Faz críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal, apoiou pedidos de impeachment de ministros da Corte e defende a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Até o momento, não há registro público de investigação criminal em curso contra o senador.
Corrida contra o prazo eleitoral
A escolha encerra uma corrida contra o apertado calendário eleitoral: a dois dias do prazo final, Zema e Flávio Bolsonaro eram os únicos entre os cinco principais presidenciáveis que ainda não haviam fechado a chapa. Com o anúncio desta terça, Zema sai da lista.
“Privatizar tudo” e histórico em Minas
Na sabatina, questionado sobre os Correios, Zema afirmou que pretende “privatizar tudo” e que não existe “vaca sagrada” entre as estatais. A posição não é nova: em julho, ele já havia defendido a privatização total da Petrobras, repetindo que “não tem vaca sagrada” entre as estatais federais.
Zema também citou sua gestão em Minas Gerais para reforçar a imagem de combate à corrupção, afirmando que nunca foi procurado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, preso e morador da mesma Belo Horizonte onde viveu por oito anos. Para ele, isso mostra que um governante “sem rabo preso” consegue avançar mais nas reformas.