Romeu Zema, governador de Minas Gerais, declarou que considera corretas as sanções impostas por Donald Trump contra Alexandre de Moraes. Em entrevista à BBC News Brasil, Zema afirmou que o presidente Lula deu motivos para a retaliação dos EUA e defendeu anistia a Bolsonaro, caso eleito presidente em 2026.
Zema também abordou temas como a Zona Franca de Manaus, o Bolsa Família e a atuação das instituições públicas, além de comentar possíveis alianças políticas e sua visão sobre democracia e soberania nacional.
Declarações sobre sanções e relações internacionais
Durante entrevista à BBC News Brasil, Romeu Zema afirmou que apoia as sanções de Donald Trump contra Alexandre de Moraes, argumentando que “defendo contra todo o sistema ditatorial” e que “se tem uma democracia que é referência no mundo, é a dos Estados Unidos, a da Inglaterra”. Para Zema, a retaliação americana seria um alerta para o Brasil, especialmente diante da postura do presidente Lula, que, segundo ele, “tem criticado de maneira sistemática os Estados Unidos” e se aproximado de países antiamericanos.
Zema destacou que “o presidente Lula fez isso e, além disso, se aproximou de países, de ditadores, nitidamente antiamericanos. Então, me parece que ele deu todos os motivos para os Estados Unidos quererem fazer alguma retaliação aqui.” Questionado sobre a possibilidade de interferência estrangeira no sistema judiciário brasileiro, Zema afirmou: “Sou contra toda interferência em outro país, sou favorável e acredito que cada país tem a sua soberania. Interferências são sempre mal-vindas.”
Política interna e eleições de 2026
Zema admitiu que pode não contar com o apoio de Jair Bolsonaro em 2026 e afirmou que a direita terá mais de um candidato. Mesmo assim, mantém a promessa de conceder anistia ao ex-presidente, caso seja eleito: “Por que não dar anistia? Temos de passar uma régua nisso, uma borracha, e olhar para o futuro.” Ele também ressaltou que sua candidatura será mantida até o final, independentemente de alianças.
Sobre sua gestão em Minas Gerais, Zema defendeu as correções salariais para secretários e destacou sua postura de buscar soluções, mesmo que impopulares, em prol da responsabilidade fiscal.
Propostas para políticas sociais e econômicas
Zema defendeu mudanças no Bolsa Família, sugerindo um processo de “desmame” para evitar dependência prolongada do programa. Ele afirmou que “quem recebe o Bolsa Família deveria continuar recebendo o benefício quando consegue emprego, até para ele ver que no emprego ele vai aprender, ele está se qualificando”. Apesar de reconhecer que parte dessas regras já existe, Zema acredita que o programa precisa ser aperfeiçoado para incentivar o emprego formal.
Sobre a Zona Franca de Manaus, Zema propôs um plano de transição para reduzir gradualmente os subsídios, defendendo que “todo subsídio deveria ser temporário”. Ele afirmou: “A Zona Franca de Manaus já existe há mais de 50 anos, e parece que não tem nenhum plano de desmame ali”.
Segurança pública e soberania nacional
O governador também comentou sobre a possibilidade de cooperação internacional no combate ao crime organizado, dizendo ser favorável à atuação conjunta de países, inclusive com operações estrangeiras em território brasileiro, desde que pré-acordadas. “Se é para combater o terrorismo, acho que todos os países têm de caminhar juntos”, declarou, citando exemplos de El Salvador.
Zema voltou a defender a remoção de pessoas em situação de rua das vias públicas, propondo políticas para encaminhá-las a abrigos e centros de recuperação. Ele comparou a situação a um carro estacionado em local proibido: “Se alguém deixa o carro estacionado num lugar proibido, o carro não é guinchado?”
Por fim, Zema avaliou positivamente a reforma do Imposto de Renda para taxar mais os mais ricos e criticou o coronelismo em alguns estados do Norte e Nordeste, reforçando que “o Brasil é um só” e que sua gestão busca responsabilidade fiscal e inclusão social.