Romeu Zema (Novo) defendeu nesta quarta-feira (6) uma intervenção federal permanente na segurança pública do Rio de Janeiro, durante sabatina promovida pelo g1 e pela GloboNews.
O candidato à Presidência sugeriu que a ação dure de 10 a 20 anos, até que o Estado retome o controle de territórios hoje dominados por facções criminosas no estado.
Apesar de elogiar os resultados do modelo de segurança do presidente salvadorenho Nayib Bukele, Zema descartou copiar medidas como prisões sem mandado e restrições ao habeas corpus, dizendo que pretende apenas elevar o custo do crime.
Furto de energia movimenta R$ 1 bilhão para facções
Zema citou a situação da concessionária Light para justificar a necessidade de retomar áreas controladas por organizações criminosas no Rio de Janeiro. Segundo o candidato, um executivo da empresa relatou que 52% da energia distribuída nessas áreas não é paga, e que o crime organizado arrecada cerca de R$ 1 bilhão por ano com o furto de eletricidade.
O ex-governador de Minas Gerais não detalhou quando decretaria a intervenção caso seja eleito. Disse apenas que a medida seria discutida previamente com o governador e o prefeito do Rio de Janeiro, além de especialistas em segurança pública e representantes da sociedade civil.
O que Zema recusa do modelo Bukele
Questionado sobre as ferramentas usadas por Bukele para reduzir a criminalidade em El Salvador, Zema rejeitou prisões sem mandado, ampliação do prazo de detenção sem ordem judicial, restrições ao habeas corpus e ao acesso a advogados, julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, local de residência ou tatuagens. Segundo ele, o que pretende aproveitar do país centro-americano é a lógica de elevar o custo do crime, retomar territórios dominados por facções e ampliar o sistema prisional brasileiro.
Prisão preventiva para reincidentes e facções como terroristas
Zema propôs ainda mudar a legislação para permitir a prisão preventiva de pessoas que acumulem determinado número de ocorrências policiais, mesmo antes do julgamento — citou a terceira ocorrência como parâmetro possível, mas afirmou que o número exato seria definido com especialistas. Outra proposta é enquadrar facções e organizações criminosas como grupos terroristas, o que permitiria mobilizar as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no combate a esses grupos.
A postura na sabatina marca um ajuste de tom em relação ao início da candidatura: ao ser oficializado pelo Partido Novo, Zema havia defendido de forma mais ampla o modelo salvadorenho, incluindo a ideia de prisão em massa de integrantes de facções — bandeira que hoje matiza ao rejeitar prisões sem mandado e restrições ao habeas corpus. Na mesma sabatina, o candidato também detalhou seu plano de choque fiscal, que prevê privatizar Petrobras e Banco do Brasil.