Meio ambiente

Focos de incêndio sobem 13,2% em outubro no Brasil, e Pará concentra quase 40% do fogo

Mesmo com a alta do mês, o acumulado de 2026 segue 1,6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025
Vista aérea da floresta amazônica com bandeira do Pará ao lado, ilustrando focos de incêndio outubro 2026

O Brasil somou 32.454 focos de incêndio em outubro de 2026, aumento de 13,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram 28.678 registros.

Os números são do BDQueimadas, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Pará puxou a alta. Sozinho, teve 12.457 focos, o equivalente a 38,4% do total nacional. A Amazônia foi o bioma mais afetado, com 18.907 ocorrências.

Quatro estados concentram a maior parte do fogo

O fogo não se espalhou de forma igual pelo país. Depois do Pará, os estados com mais focos em outubro foram Maranhão (4.225), Bahia (3.308) e Amazonas (2.271).

Juntos, esses quatro estados somam 22.261 focos, perto de 70% de tudo o que foi registrado no Brasil no mês.

O Amazonas já vinha em escalada: segundo o Inpe, quase oito em cada dez focos do começo do mês estavam em imóveis rurais privados, mesmo com o uso do fogo proibido desde setembro.

Na outra ponta do ranking aparecem São Paulo, com 26 registros, o Distrito Federal, com 11, e o Rio de Janeiro, com apenas 5.

Nenhum bioma escapou

Todos os biomas brasileiros tiveram focos de incêndio em outubro. A Amazônia, com 18.907 registros, respondeu por cerca de 58% do total, ou seja, mais da metade do fogo detectado no país.

Um dos momentos mais críticos do mês foi no Amazonas, que somou 540 focos em 48 horas no início de outubro. Depois disso, o Ministério do Meio Ambiente passou a tratar o fogo como ação humana intencional.

Acumulado do ano segue abaixo de 2025

Mesmo com o salto de outubro, o balanço de 2026 ainda é um pouco melhor que o do ano anterior. De janeiro a outubro, o país teve 102.804 focos de incêndio, contra 104.423 no mesmo período de 2025, uma queda de 1,6%.

A margem, porém, é estreita. São cerca de 1,6 mil focos a menos em dez meses, enquanto só outubro teve aproximadamente 3,8 mil focos a mais que o mesmo mês do ano passado.

A comparação com 2025 pesa porque aquele foi um ano de alívio: a área queimada no país recuou 31% frente à média histórica, e a Amazônia teve a menor extensão queimada em 41 anos, segundo o MapBiomas.