Meio ambiente

Setembro tem 24,3 mil focos de incêndio no Brasil, 13,6% menos que em 2025

Amazônia responde por mais da metade das ocorrências, e o Pará lidera o ranking entre os estados
Vista aérea da Amazônia com névoa alaranjada, representando os focos de incêndio no Brasil em setembro de 2025

O Brasil contabilizou 24.382 focos de incêndio em setembro de 2026, segundo o sistema BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número é 13,6% menor que o do mesmo mês de 2025, quando foram registradas 28.214 ocorrências.

A queda aparece justamente no pico da temporada de fogo no país, período que vai de junho a outubro e que costuma concentrar as maiores incidências em agosto e setembro.

Pará e Amazonas puxam o ranking estadual

O Pará foi a unidade da federação mais atingida no mês, com 5.224 focos. Logo atrás aparecem Amazonas (3.726), Bahia (2.747) e Maranhão (2.481) — uma lista em que o arco amazônico e o Nordeste dividem o topo.

Na outra ponta, os menores números ficaram com Sergipe (9 registros), Rio de Janeiro (15) e Distrito Federal (21).

Todos os biomas brasileiros tiveram registro de fogo em setembro. A Amazônia concentrou sozinha 12.562 ocorrências, mais da metade de tudo o que foi detectado no país no mês.

No ano, recuo é mais modesto

No acumulado de 2026, o Brasil soma 70.350 focos de incêndio, 7,1% menos que os 75.745 contabilizados no mesmo intervalo do ano passado. Ou seja: a retração anual é menos acentuada que a vista no recorte de setembro.

O movimento dialoga com o que já havia sido mapeado para o ciclo anterior, quando a área queimada no Brasil recuou 31% em 2025, com o Cerrado resistindo como epicentro proporcional do fogo, mesmo com a Amazônia liderando em número absoluto de focos pontuais.

O que o número de focos diz — e o que não diz

Focos de incêndio são pontos de calor identificados pelo sistema de monitoramento do Inpe. Eles indicam onde há fogo ativo, mas o total mensal não se traduz automaticamente em extensão de território atingido: um único evento de grandes proporções pode gerar poucos registros, enquanto várias queimadas menores inflam a contagem.

A conexão com a floresta derrubada

O fogo na Amazônia não corre apenas por conta da estiagem. Em temporadas anteriores, os incêndios chegaram a elevar em 4% os alertas de desmatamento na região, segundo o próprio governo federal — sinal de como as duas curvas se alimentam.

Com setembro encerrado, resta outubro para fechar o período crítico. O comportamento desse último mês deve definir se a queda de 7,1% acumulada no ano se consolida ou encolhe no balanço final de 2026.