O Amazonas somou 540 novos focos de incêndio em 48 horas, mais da metade dos 874 focos que o estado registrou em outubro de 2025 inteiro, segundo o painel Queimadas do Inpe. Só no sábado (10) foram 494 focos — no mesmo dia do ano passado, o instituto não detectou nenhum.
Após sobrevoar a região no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que o fogo é resultado de ação humana intencional.
Governo trata o fogo como crime, mas não aponta responsáveis
A avaliação do ministério parte de uma premissa ecológica: não existe fogo espontâneo no bioma amazônico. Em declaração à Agência Brasil, Capobianco disse que as chamas vistas do alto estavam em áreas florestais de difícil acesso, o que, para ele, indica ação deliberada — possivelmente para degradar a floresta e preparar o terreno para desmatamentos futuros.
“É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirmou o ministro. A declaração não veio acompanhada da identificação de responsáveis nem de um balanço de autuações ligadas aos focos destes dois dias.
Fumaça já havia fechado escolas em setembro
A escalada atual dá sequência a um mês de setembro que já havia registrado 3.726 focos de calor no Amazonas — quase quatro vezes mais que no mesmo período de 2025 — e levado Manaus a suspender aulas por causa da fumaça. Na sexta-feira (9), a Defesa Civil da capital voltou a emitir alerta de risco à saúde pela piora da qualidade do ar.
Diante do quadro, o estado obteve o reconhecimento, em caráter sumário, de situação de emergência em 36 municípios.
Seis aeronaves do Ibama e 290 brigadistas na linha de frente
Uma força-tarefa emergencial que reúne os governos municipal, estadual e federal atua no combate às chamas. O Ibama destacou quatro aviões Air Tractor, dois helicópteros e 290 brigadistas para a região. “Cada aeronave dessas lança cerca de 3 mil litros de água”, explicou Jair Schmitt, presidente do órgão. Até sábado, o instituto já havia extinguido 229 incêndios no estado, em uma operação coordenada pelo Ciman Federal.
No domingo (11), dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira chegaram para reforçar o trabalho, a pedido da Defesa Civil. Nesta segunda-feira (12), as aeronaves entraram efetivamente em ação, segundo apuração da Agência Brasil: uma opera como cargueiro de apoio, e a outra foi equipada com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios, capaz de lançar 12 mil litros de água pressurizada por voo. A primeira decolagem do dia serviu para identificar os focos e ajustar o sistema de lançamento; na sequência, a aeronave foi reabastecida e realizou o despejo de água sobre as chamas. “O maior desafio é que o incêndio se movimenta de acordo com o tempo, mas a aeronave KC-390 tem tecnologias tão avançadas que a gente consegue inserir no sistema, e o avião verifica e faz os lançamentos precisos”, afirmou à Agência Brasil o tenente-coronel aviador Daniel Souza, comandante do Esquadrão Zeus. Segundo a Força Aérea, estão previstos três lançamentos por dia até que a situação no Amazonas esteja controlada. A Força Nacional do SUS atende os municípios que decretaram emergência — frente que, para o ministro da Integração, Waldez Góes, pesa tanto quanto apagar o fogo.
“Uma coisa é empregarmos, enquanto governos federal, estadual e municipal, todas as forças que pudermos para apagar o fogo. A outra é assistir às pessoas que estão precisando de ajuda humanitária e assistência médica por causa dos incêndios”, declarou.
Segundo o ministro, o Amazonas coordena a manifestação dos municípios para que uma frente de resposta em defesa civil possa atuar nos territórios.
Ao reforço federal já mobilizado, o governo de São Paulo somou uma equipe própria de 30 profissionais, enquanto sensores da Defesa Civil chegaram a registrar 196,4 µg/m³ de material particulado no ar de Manaus.