Meio ambiente

Amapá soma 1.054 focos de calor em 48 horas e vê risco de fogo avançar

Alta de 176,81% sobre 2025 deixa leste, norte e sul do estado em faixas de risco alto a crítico
Floresta amazônica vista do alto com Fortaleza de Macapá ao fundo, ilustrando os focos de calor no Amapá

O Amapá acumulou 1.054 focos de calor entre domingo (11) e esta terça-feira (13), segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe). O volume é 176,81% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2025.

Com a escalada, grande parte do território amapaense permanece classificada sob risco médio a alto de incêndio. Nas mesmas 48 horas, os satélites identificaram ainda 12 novos incêndios no estado.

Fogo se concentra na faixa norte do estado

O levantamento divulgado pelo Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis (NHMET) mostra que o fogo não está distribuído de forma uniforme. Calçoene, no litoral norte, lidera com 227 focos, seguida por Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, com 210, e pela capital, Macapá, com 178.

Logo atrás aparecem Tartarugalzinho (116), Mazagão (71), Amapá (62) e Vitória do Jari (56) — um recorte que espalha o problema do extremo norte até o sul do estado, já na divisa com o Pará.

Calor e ar seco empurram o indicador

O cenário meteorológico ajuda a explicar o avanço. Em Macapá, a temperatura máxima chegou a 33,8°C, com umidade relativa mínima do ar de 51% — combinação que favorece a propagação de queimadas em vegetação já castigada pela estiagem.

O salto percentual, porém, parte de uma base baixa: em 2025, o estado havia registrado queda de 52% nos focos de incêndio, resultado atribuído à operação Amapá Verde e ao reforço de efetivo nas bases do Corpo de Bombeiros.

Mapa de risco piora nesta quarta

O risco de fogo foi classificado como médio a alto em boa parte do Amapá, com as áreas mais críticas nas regiões leste, norte e sul, onde o monitoramento identificou faixas de risco alto e crítico. Só a porção oeste segue com risco predominantemente baixo a médio.

A previsão para esta quarta-feira (14) aponta piora: as áreas sob risco médio e alto devem se expandir pelo estado, e as três regiões já mais pressionadas tendem a registrar aumento das faixas alta e crítica.

Na contramão do país

O movimento amapaense contrasta com o quadro nacional. O Brasil fechou setembro com 24,3 mil focos de incêndio, 13,6% menos que em 2025. A referência regional, no entanto, é outra: no vizinho Amazonas, os focos de setembro quase quadruplicaram e a fumaça levou Manaus a suspender aulas.