A área queimada no Brasil recuou 31% em 2025 na comparação com a média histórica, somando 12,7 milhões de hectares atingidos pelo fogo, segundo o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas.
A retração foi puxada pela Amazônia, que teve a menor extensão queimada em 41 anos após registrar o maior número da série em 2024. O Cerrado, no entanto, seguiu como o bioma mais afetado, concentrando 69% de toda a área queimada do país.
Amazônia tem queda histórica após recorde de 2024
Depois de registrar 15,8 milhões de hectares queimados em 2024, o maior volume da série histórica, a Amazônia teve apenas 3,1 milhões de hectares atingidos pelo fogo em 2025 — a menor extensão em 41 anos de monitoramento. A melhora no bioma acompanha outra marca positiva registrada recentemente: os alertas de desmatamento na Amazônia caíram para o menor patamar em dez anos, segundo o Inpe.
O cenário foi diferente em outros biomas. O Cerrado manteve o posto de região mais castigada pelo fogo, com 8,7 milhões de hectares queimados — quase sete vezes a extensão do Pantanal. A Caatinga foi a única região que fechou 2025 acima da própria média histórica, com 505 mil hectares queimados, enquanto o Pantanal, com 121 mil hectares atingidos, registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas.
Incêndios se repetem nos mesmos territórios
O relatório também mostra que 64% de toda a área queimada no Brasil entre 1985 e 2025 pegou fogo mais de uma vez, e 52% desses casos voltaram a arder em um intervalo de até quatro anos. Na Amazônia, a recorrência é ainda mais rápida: 31,6% das áreas atingidas mais de uma vez voltaram a queimar em até dois anos, o que compromete a regeneração da floresta e a torna mais vulnerável a novos incêndios. No Cerrado, 66% da área queimada desde 1985 teve mais de uma ocorrência no período.
O levantamento do MapBiomas mostra que, entre 1985 e 2025, 208,4 milhões de hectares — 24% do território brasileiro — foram atingidos pelo fogo ao menos uma vez. Amazônia e Cerrado concentram juntos 86% dessa área acumulada, e 71,5% do total queimado no período correspondeu a vegetação nativa.
A distribuição, porém, varia entre os biomas. Na Amazônia e na Mata Atlântica, mais da metade da área queimada está sobre terrenos já modificados pela ação humana, como pastagens. Já no Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e no Pampa, o fogo atingiu predominantemente áreas de vegetação nativa.
O avanço no controle do fogo na Amazônia contrasta com outra decisão recente sobre proteção ambiental na região: dias antes da divulgação do relatório, o Senado aprovou a redução de quase 40% da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará.
