O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou neste sábado (31) estado de emergência no país para enfrentar as secas intensas e as enchentes associadas ao super El Niño.
Com o decreto, o governo boliviano pode ampliar os recursos financeiros e enviar equipes de resgate às áreas mais afetadas.
Em pronunciamento à nação, Paz afirmou que o governo tem trabalhado para reduzir os impactos do fenômeno, que vem causando estragos em diferentes partes do mundo.
O que está por trás do super El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, na faixa próxima à costa da América do Sul.
Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de umidade na atmosfera. O resultado são mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas em várias regiões do planeta. Por isso o mesmo evento pode trazer seca a um lugar e inundação a outro, como acontece agora na Bolívia.
Quando o fenômeno ganha o rótulo de “super”
O termo super El Niño é usado para episódios especialmente intensos, em que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial chega a níveis elevados. Nesses casos, os efeitos climáticos tendem a ser mais fortes, mas variam conforme a região.
O fenômeno aparece de forma irregular, em geral a cada dois a sete anos, e pode durar vários meses. A formação do El Niño deste ano foi oficializada pela NOAA em junho, quando já se discutia se o evento chegaria à categoria de super El Niño.
O que o fenômeno significa para o Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño mudam de acordo com a região. Em geral, o fenômeno favorece chuvas mais intensas no Sul e períodos de seca no Norte e no Nordeste, além de poder contribuir para temperaturas mais altas em várias partes do país.
No Sul, o super El Niño já favorecia tempestades severas e inundações desde agosto, com o Rio Grande do Sul atingido por granizo e tornados.
O governo federal também se mobilizou antes da Bolívia: em agosto, Lula reuniu 24 ministros para preparar a resposta ao fenômeno.
O decreto boliviano mostra que países vizinhos já passaram da preparação para a resposta de emergência, com dinheiro e equipes de campo voltados aos extremos de seca e de cheia.