A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou nesta sexta-feira (24) um boletim climático indicando que o El Niño deve se formar entre maio e julho de 2026 e pode se intensificar nos meses seguintes.
O Pacífico equatorial já registra aquecimento acelerado na superfície e acúmulo de calor nas camadas mais profundas do oceano — sinais precursores que colocam os modelos climáticos em forte alinhamento com esse diagnóstico.
A entidade adverte que a chamada “barreira de previsibilidade da primavera” limita a precisão das projeções no momento, e que a confiança nos modelos tende a crescer após abril.
Evento pode ser forte, mas com ressalvas técnicas
Os modelos climáticos analisados pela OMM sugerem que o próximo El Niño pode se configurar como um evento forte. A agência, no entanto, evita classificações como “super El Niño”, expressão que não faz parte de sua nomenclatura oficial, e reforça que cada episódio tem características próprias.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento igual ou superior a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial, e ocorre naturalmente a cada dois a sete anos. Ele faz parte de um ciclo climático que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras, alterando a circulação da atmosfera e os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
A próxima atualização do boletim da OMM sobre o fenômeno está prevista para o final de maio, quando a confiança nas projeções deve ser maior.
Impactos esperados para o Brasil e o mundo
Para o período de maio a julho, a OMM projeta temperaturas acima da média em quase toda a superfície continental do planeta, com sinal mais intenso na América Central, no Caribe, no sul da América do Norte, na Europa e no norte da África.
No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais. A região Sul tende a registrar mais chuva, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos mais secos e prolongados. Especialistas apontam ainda que episódios de calor extremo devem se intensificar especialmente na primavera e no verão.
Há menos de duas semanas, a NOAA havia declarado o fim da La Niña e projetado 60% de chance de um El Niño se formar entre maio e julho — agora, a OMM reforça esse diagnóstico com sinais ainda mais concretos de aquecimento no Pacífico.
2024 foi o ano mais quente da história por combinação de fatores
O contexto climático global torna o retorno do El Niño ainda mais relevante. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado na história, resultado da combinação entre um El Niño intenso e o aquecimento de fundo provocado pelas emissões de gases de efeito estufa — embora não haja evidências científicas de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade do fenômeno em si.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses continuem registrando temperaturas elevadas em várias regiões. Mesmo episódios moderados, advertem cientistas, podem gerar efeitos mais expressivos do que no passado, justamente porque o planeta já parte de uma base térmica mais alta.
A OMM ressalta que o aquecimento global segue sendo o principal fator estrutural por trás das transformações no clima, independentemente da alternância entre El Niño, La Niña e períodos neutros.
