A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño — aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial que altera o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do mundo.
A confirmação já era esperada. Em maio, a agência apontava 82% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer no primeiro semestre de 2026 — e o aquecimento gradual do Pacífico foi confirmando o prognóstico mês a mês.
Com o evento agora oficializado, o debate entre climatologistas se desloca: o fenômeno de 2026 pode se tornar um super El Niño?
Impactos esperados no Brasil por região
Os efeitos do El Niño no território brasileiro são geograficamente desiguais. Historicamente, o Sul é a região mais afetada pelo aumento das chuvas, com risco elevado de temporais e cheias. No Norte e em partes do Nordeste, o padrão se inverte: menos precipitação e maior risco de secas prolongadas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos costumam ser mais difusos — calor persistente, chuvas mal distribuídas e alterações no comportamento das frentes frias.
Antes mesmo da confirmação oficial, o Instituto Nacional de Meteorologia já havia detectado sinais preocupantes: a anomalia de temperatura chegou a 2,1°C na região Niño 1+2, a mais próxima da costa sul-americana, indicando que o Brasil estava na trajetória direta do fenômeno.
El Niño em um planeta já aquecido
O fenômeno não provoca o aquecimento global — ele é uma variação natural do sistema climático. Mas quando ocorre em um mundo já mais quente, os efeitos se ampliam. Secas ficam mais longas, enchentes mais intensas e ondas de calor mais frequentes.
Um El Niño forte pode comprometer reservatórios de água, a geração de energia elétrica, a safra agrícola e elevar o risco de queimadas — impactos em cadeia que pressionam os preços de alimentos em diversas regiões do país.
Será um ‘super El Niño’?
A resposta ainda não existe. O termo super El Niño não é uma classificação científica oficial, mas costuma descrever eventos de intensidade muito elevada — como os ocorridos em 1982-83, 1997-98 e 2015-16, que deixaram marcas profundas no clima global.
A intensidade final depende de quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nas próximas semanas e de como a atmosfera vai responder. Para o fenômeno se fortalecer, o sistema oceano-atmosfera precisa agir de forma acoplada e persistente — condição ainda sendo monitorada.
Do lado do governo brasileiro, a preocupação já havia motivado ação antes da confirmação oficial: um gabinete de crise climática foi criado para coordenar respostas preventivas em todo o território nacional.
A chegada do El Niño, porém, também evidencia uma fragilidade estrutural. O Brasil segue sem uma política permanente de adaptação a eventos climáticos extremos — e estados como Santa Catarina executaram menos de 1% das verbas previstas para obras de segurança em barragens.
