O Super El Niño começou a influenciar o clima do Brasil e deve aumentar o risco de tempestades severas, chuvas intensas e enchentes nos próximos meses, segundo especialistas ouvidos pelo Fantástico.
O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já é apontado como um dos fatores por trás do excesso de chuva registrado recentemente no Rio Grande do Sul, atingido por granizo e tornados.
Pico de tempestades é esperado nos próximos meses
Segundo os meteorologistas ouvidos pela reportagem, o fenômeno “já está influenciando” e “já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul”, com o auge dos eventos esperado adiante. A avaliação reforça o alerta feito anteriormente pela ONU, que apontou o pico do El Niño entre agosto e outubro, com temperaturas do Pacífico podendo superar em 2,9°C a média histórica — justamente o período em que o Brasil deve sentir os efeitos mais fortes.
O cenário brasileiro se soma a uma sequência de desastres climáticos ao redor do mundo: incêndios florestais na Europa, enchentes e ondas de calor na Índia e na China, além de nevascas e inundações no Chile. No Rio Grande do Sul, o país já registrou chuva intensa, granizo e tornados — reflexo de uma tendência que já havia colocado o Brasil como o segundo país com mais tornados do mundo em 2026.
Nem todo temporal recente, porém, tem relação direta com o El Niño. É o caso do vendaval que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro, causado pelo choque entre uma massa de ar frio vinda do Sul e uma massa de ar quente que predominava sobre o Sudeste — quanto maior a diferença de temperatura entre elas, mais fortes tendem a ser as rajadas de vento. A conexão entre o fenômeno e os ventos que mataram cinco pessoas no Sudeste é indireta, segundo os especialistas.
Especialistas alertam que uma atmosfera mais quente tende a ficar mais turbulenta e imprevisível, o que compromete a precisão das previsões meteorológicas e exige reforço nas ações de prevenção em cidades vulneráveis a enchentes e deslizamentos.
Diante da chegada do Super El Niño, a orientação é que o Brasil se prepare para uma probabilidade maior de eventos climáticos extremos até o fim do ano, com atenção especial à Região Sul, onde a combinação de chuva intensa e instabilidade atmosférica já vem sendo sentida pela população.