O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo federal já se prepara para os efeitos do El Niño, fenômeno que pode intensificar secas, enchentes e calor extremo no Brasil nos próximos meses.
Após reunião com 24 ministros e especialistas em Brasília, o presidente detalhou o plano de resposta e brincou sobre a força do fenômeno: “Se vier bravo, eu estou fervendo”.
Projeções indicam El Niño forte a partir de setembro
Segundo Lula, o fenômeno deve ganhar força entre setembro e novembro, período de maior preocupação do governo. Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) apontam 98% de chance de um El Niño moderado, 80% de probabilidade de um evento forte e 22% de chance de atingir a categoria ‘super’. A intensificação já era sentida antes mesmo da reunião ministerial: um dia antes do encontro, especialistas confirmavam que o Super El Niño já favorecia tempestades severas e inundações no Sul do Brasil.
Apesar dos números, o presidente reconheceu a incerteza sobre a intensidade do evento e apelou à fé: “A gente tem que torcer para que Deus nos ajude e que ele não venha causar tanto prejuízo ao Brasil”.
Governo reforça estrutura de combate a incêndios e apoio social
Para enfrentar o cenário, o governo federal ampliou a frota de helicópteros, aviões e veículos usados no combate a incêndios florestais e aumentou o número de brigadistas em parceria com estados e municípios. A Defesa Civil e a área da saúde também foram mobilizadas, além da compra de 350 mil cestas básicas destinadas a famílias afetadas pelos efeitos do fenômeno.
A urgência da mobilização tem respaldo em alertas internacionais. No fim de julho, a Organização Meteorológica Mundial já havia projetado o pico do El Niño exatamente entre agosto e outubro, o mesmo intervalo citado por Lula como o de maior risco. Já a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, havia divulgado em julho 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria ‘muito forte’ até dezembro, cenário que também motivou a resposta federal.