A agência climática americana NOAA declarou o fim da La Niña e confirmou que o Pacífico Equatorial entrou em fase de neutralidade. O anúncio redefine o cenário climático global e abre caminho para a formação de um novo El Niño ainda neste ano.
Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), há 80% de chance de a neutralidade persistir entre abril e junho de 2026. Para o segundo semestre, as projeções apontam 60% de probabilidade de um El Niño se formar entre maio e julho.
Desde o início de 2026, o Pacífico vem passando por uma transição perceptível. As águas mais frias, características da La Niña, perderam intensidade a partir de fevereiro, quando áreas com temperaturas acima da média começaram a surgir no extremo leste do oceano, próximas à costa da América do Sul.
Atualmente, as temperaturas da superfície do mar estão próximas da média histórica, sem os padrões de resfriamento ou aquecimento necessários para caracterizar qualquer um dos dois fenômenos. É o chamado período de neutralidade do ENSO — sigla em inglês para o sistema El Niño-Oscilação Sul.
Aquecimento abaixo da superfície já é detectado
Mesmo sem a confirmação oficial de um novo El Niño, sinais abaixo da superfície do oceano já indicam aquecimento progressivo — exatamente o padrão que costuma anteceder episódios do fenômeno. Os ventos, temperaturas e precipitações no Pacífico ainda não estão organizados para caracterizar El Niño, mas a tendência de aquecimento é consistente com os modelos históricos de transição.
Se o fenômeno se confirmar no segundo semestre, sua intensidade ainda é uma incógnita. As simulações climáticas indicam que, entre o fim de 2026 e o início de 2027, há cerca de 25% de chance para cada um dos cenários: El Niño moderado, forte ou muito forte. A probabilidade de o Pacífico continuar neutro nesse período é considerada baixa pelos modelos.
O que muda para o Brasil
Historicamente, o El Niño altera o regime de chuvas e temperaturas no território brasileiro. Um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. O Nordeste tende a enfrentar condições mais secas, enquanto o Sul pode registrar excesso de precipitação.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica — como alertou a OMM em relatório que apontou a última década como a mais quente já registrada —, a formação de um El Niño intenso em 2026 pode ter efeitos mais severos do que em ciclos anteriores.
Cientistas reforçam que, independentemente da alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, o aquecimento global segue sendo o principal vetor das transformações climáticas em curso. Com os oceanos acima da média histórica, a expectativa é de que os próximos meses continuem registrando temperaturas elevadas em diversas regiões do planeta.
