Os oceanos globais estão às vésperas de um novo recorde de temperatura em maio de 2026, alertou nesta sexta-feira (8) o observatório climático europeu Copernicus.
Ondas de calor marinhas varrem uma extensa faixa do Pacífico equatorial até a costa oeste dos Estados Unidos e do México.
O cenário coincide com o retorno cada vez mais provável do El Niño, fenômeno que deve se consolidar entre maio e julho e que já acende o alerta entre especialistas do clima global.
Samantha Burgess, responsável estratégica de clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), do qual o Copernicus faz parte, foi direta: “é apenas questão de dias” para que os registros de temperatura na superfície dos mares em maio batam um novo recorde histórico.
Em abril, as médias oceânicas globais — excluídas as regiões polares — chegaram perto do pico de 2024. Historicamente, março é o mês mais quente nos oceanos, o que torna o aquecimento atual de maio ainda mais preocupante.
O El Niño é um fenômeno natural do ciclo do Pacífico que costuma se iniciar na primavera do hemisfério norte. Seus efeitos se propagam nos meses seguintes: secas na Indonésia, chuvas torrenciais no Peru e alterações em ventos e temperaturas em todo o planeta.
O avanço ganhou base em meados de abril, quando a NOAA declarou o fim da La Niña e o Pacífico entrou em fase de neutralidade — a antessala do aquecimento que os oceanos globais já sinalizam em tempo real.
A Organização Meteorológica Mundial advertiu que, embora persistam incertezas, o retorno do El Niño é cada vez mais provável entre maio e julho.
El Niño sobre aquecimento global
O ponto crítico é o efeito combinado: o El Niño, fenômeno natural e cíclico, se soma ao aquecimento global acelerado pelas emissões humanas. Algumas agências projetam que o novo episódio pode rivalizar com o “Super El Niño” de 1997-1998.
A intensidade, porém, ainda divide especialistas. O próprio ECMWF ressaltou que a variação nas projeções para setembro é “substancial”, e Burgess recomenda cautela: as previsões de primavera ainda são pouco confiáveis para determinar o tamanho exato do fenômeno.
A OMM já havia alertado no fim de abril que El Niño poderia se formar entre maio e julho de 2026, com modelos climáticos em forte alinhamento — e agora os oceanos reforçam esse cenário ao se aproximar de recordes históricos antes mesmo de o fenômeno se consolidar.
O efeito sobre a temperatura média global costuma se manifestar no ano seguinte ao aparecimento do El Niño — o que leva especialistas a projetar um 2027 fora do comum.
Zeke Hausfather, meteorologista do Berkeley Earth, prevê que 2027 superará o recorde anual de 2024. Burgess, do Copernicus, considera “provável que 2027 supere 2024 e se torne o ano mais quente já registrado”.
Ártico e os extremos de abril
O relatório mensal do Copernicus aponta que o gelo marinho do Ártico se recuperou pouco no inverno do hemisfério norte, com superfícies próximas aos mínimos históricos.
Na escala global, abril de 2026 ficou como o terceiro mês de abril mais quente já registrado, somando oceanos e continentes. O mês também foi marcado por extremos: ciclones tropicais no Pacífico, inundações devastadoras no Oriente Médio e na Ásia, e secas no sul da África.
