O desmatamento dentro das unidades de conservação federais da Amazônia Legal caiu 17% em 2026 e chegou a 111 km², o menor patamar desde o início da série histórica, em 2008. Em 2025, haviam sido 134 km².
Os números vêm do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram compilados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo o órgão, o resultado reflete o monitoramento geoespacial, a identificação das áreas sob maior pressão e as operações de fiscalização remota e em campo.
Queda acumulada de 82% desde 2021
O tamanho da virada aparece quando a comparação recua alguns anos. Em 2021, o desmatamento nas UCs federais da Amazônia atingiu 618 km². Desde então, a redução acumulada chega a 82%.
Para o coordenador-geral de Proteção do ICMBio, Ricardo Brochado, os dados mostram a reversão da tendência de alta observada entre 2019 e 2022, seguida de quedas a partir de 2023. “Os resultados foram alcançados com trabalho técnico muito importante, com liberdade de trabalho, condições mínimas de trabalho e liberdade para fazer o que a gente tem que fazer por ofício, como servidores públicos que trabalham com essa agenda”, afirmou.
O recuo nas áreas protegidas acompanha o desempenho de toda a região. O Prodes apontou 3.335 km² desmatados na Amazônia Legal em 2026, queda de 41,81% em relação ao ano anterior e o menor índice desde o início da série, em 1988. As UCs federais responderam por 3,3% desse total.
Cinco unidades concentram 69% da derrubada
Apesar da queda, o desmatamento nas UCs federais amazônicas segue concentrado. Cinco unidades somaram 69% da área derrubada:
- Floresta Nacional de Altamira (PA): 27,8 km²
- Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós: 16,2 km²
- Reserva Extrativista Chico Mendes (AC): 15,2 km²
- Floresta Nacional do Jamanxim (PA): 12,1 km²
- Parque Nacional do Juruena (MT/AM): 5,4 km²
Cerrado também recua dentro das áreas protegidas
No Cerrado, as UCs federais registraram 47 km² de vegetação desmatada em 2026, distribuídos em 29 unidades. A área é 8% menor que os 51 km² contabilizados em 2025.
No bioma como um todo, foram 5.517 km² desmatados, redução de 23,75% na comparação anual. O dado integra o balanço mais amplo do Prodes divulgado neste mês. As unidades de conservação federais responderam por apenas 0,9% do desmatamento registrado no Cerrado.
APAs lideram a lista
As cinco unidades com mais área derrubada concentraram 71% do desmatamento nas UCs federais do Cerrado, todas da categoria Área de Proteção Ambiental: Serra da Ibiapaba (23,99 km²), Cavernas do Peruaçu (5,77 km²), Nascentes do Rio Vermelho (4,64 km²), Planalto Central (4,33 km²) e Delta do Parnaíba (3,97 km²).
De acordo com o ICMBio, o monitoramento do Prodes permite identificar as áreas mais pressionadas e orientar o planejamento das ações de proteção e fiscalização nas unidades.