Meio ambiente

Desmatamento na Amazônia recua 17% no trimestre, mas março acende alerta

Alta de 17% no mês de março revela fragilidade no controle do desmatamento amazônico
Vista aérea da Amazônia com rios sinuosos na canopia verde, ilustrando queda desmatamento Amazônia 2026

A floresta amazônica perdeu 348 km² entre janeiro e março de 2026 — queda de 17% em relação aos 419 km² registrados no mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O resultado positivo, porém, veio acompanhado de um sinal de alerta.

Só em março, 196 km² foram derrubados, alta de 17% frente aos 167 km² de março de 2025. Para pesquisadores do instituto, o aumento pontual evidencia que os avanços ainda dependem de fiscalização contínua e políticas que tornem a floresta em pé economicamente viável.

No chamado calendário do desmatamento — que vai de agosto de um ano a julho do seguinte —, o recuo foi ainda mais expressivo. Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área derrubada caiu de 2.296 km² para 1.460 km², uma redução de 36%.

Estados e municípios mais desmatados

Mato Grosso, Roraima e Pará lideraram o ranking no acumulado do calendário. O Pará registrou 425 km² desmatados, queda de 52%. Mato Grosso teve 270 km², recuo de 38%. Roraima foi o único estado com alta: a área destruída passou de 184 km² para 222 km², crescimento de 21%.

Entre os municípios, Caracaraí (RR) aparece no topo com 84,09 km² derrubados. A lista segue com Feijó (AC), Rorainópolis (RR), Colniza (MT), São Félix do Xingu (PA), Tarauacá (AC), Nova Ubiratã (MT), Rio Branco (AC), Portel (PA) e Canutama (AM).

Unidades de conservação sob pressão

A Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, localizada em São Félix do Xingu (PA), foi a unidade de conservação mais afetada: 35,52 km² desmatados no período. Segundo o Imazon, a APA concentrou mais de 95% de toda a área derrubada dentro do município entre agosto de 2025 e março de 2026. Pesquisadores avaliam que a concentração da destruição em pontos específicos exige ações de fiscalização mais direcionadas.

A degradação florestal — que representa dano parcial à floresta, diferente do desmatamento total — também recuou de forma significativa. Em março, foram registrados apenas 11 km² de floresta degradada, redução de 95% em relação ao mesmo mês de 2025 e o menor resultado para o mês desde 2014. No acumulado do calendário, a degradação caiu 93%.

O dado, porém, exige cautela. O ciclo imediatamente anterior, entre agosto de 2024 e julho de 2025, registrou o maior nível de degradação da série histórica do instituto. A queda atual parte, portanto, de uma base excepcionalmente alta.

Roraima concentrou 82% de toda a área degradada registrada em março. O Imazon atribui isso ao regime climático do estado, onde o início do ano costuma ser mais seco do que em outras regiões da Amazônia.

Como o Imazon monitora o desmatamento

Os dados são coletados pelo SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), desenvolvido pelo instituto em 2008. O sistema usa os satélites Landsat 7 e 8, da NASA, e Sentinel 1A, 1B, 2A e 2B, da Agência Espacial Europeia (ESA) — todos de domínio público. A combinação permite revisar a mesma área a cada 5 a 8 dias e detectar devastações a partir de 1 hectare, enquanto o sistema Deter, do Inpe, considera apenas áreas maiores que 3 hectares.