O desmatamento na Amazônia somou 2.702 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 23% em relação ao ciclo anterior e o menor volume registrado desde 2013, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon.
Terras Indígenas concentraram apenas 1,7% da área derrubada no período, com 46,96 km², mesmo ocupando 23% do bioma — quase 60% desses territórios não perderam floresta nenhuma entre agosto e julho.
Pará, Mato Grosso e Amazonas responderam por 70% da devastação, enquanto as unidades de conservação somaram 239,76 km², 9% do total desmatado na região.
Estados concentram maioria da derrubada
Pará, Mato Grosso e Amazonas foram responsáveis por 70% de toda a floresta derrubada no ano calendário do desmatamento, que vai de agosto a julho. O resultado consolida uma tendência já detectada pelo Inpe em julho, quando os alertas do primeiro semestre de 2026 atingiram o menor patamar em uma década — os dados anuais do Imazon agora confirmam a queda ao longo do ciclo completo.
A retração de 23% observada agora inverte o cenário do ano anterior, quando o bioma havia registrado uma alta de 4% na derrubada, com mais de 4 mil km² de floresta perdidos, interrompendo uma sequência de recuos.
Entre as Terras Indígenas, 11 registraram perda de cobertura florestal superior a 1 km², o equivalente a cerca de 100 campos de futebol. A TI Cachoeira Seca, que abrange áreas de Altamira, Placas e Uruá, no Pará, teve a maior área desmatada entre os territórios indígenas da Amazônia.
Unidades de conservação como barreira
As unidades de conservação amazônicas somaram 239,76 km² de área desmatada, 9% do total da região, mas 63% delas não perderam nenhum hectare de floresta no período. Apenas 32 unidades tiveram derrubada acima de 1 km².
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, entre Altamira e São Félix do Xingu, no Pará, foi a mais desmatada do país, com 90,87 km² de perda florestal. A APA já liderava o ranking de unidades de conservação mais desmatadas no balanço trimestral anterior e manteve a primeira posição no fechamento do ano calendário.
Para Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, os números reforçam o papel das Terras Indígenas e das unidades de conservação como barreiras contra o avanço do desmatamento. “É fundamental reconhecer e valorizar a importância desses territórios para a conservação da Amazônia e para a proteção dos serviços ambientais que beneficiam todo o país”, afirma.