O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta quinta-feira (11), um observatório de monitoramento da Amazônia e apresentou dados que apontam queda no desmatamento brasileiro.
A iniciativa é uma resposta direta às críticas do governo dos Estados Unidos, que questiona a eficácia do Brasil no combate ao desmatamento ilegal — e ameaça aplicar tarifas sobre produtos brasileiros como forma de pressão comercial.
Os números por trás do argumento
Os dados apresentados por Lula têm respaldo no Relatório Anual do Desmatamento 2025 do MapBiomas, que registrou 984.794 hectares devastados — queda de 20% frente a 2024 e o menor índice desde 2019. É a primeira vez desde 2019 que o desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares, número que o governo usa como evidência de avanço concreto na proteção da floresta.
Ao visitar o observatório, Lula declarou que o objetivo era “provar que estamos certos” — sinalizando que a apresentação de dados científicos é parte de uma estratégia deliberada de comunicação frente à pressão externa.
O que dizem os EUA
Em documento que embasa a proposta de tarifas contra produtos brasileiros, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirma que, embora o Brasil disponha de um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país “falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz”.
A crítica vai além dos números e atinge a governança ambiental brasileira — questionando não a existência de leis, mas a capacidade do Estado de fazê-las valer na prática.
Ofensiva no G7
A divulgação dos dados se insere numa estratégia mais ampla do Palácio do Planalto. Com as negociações técnicas com Washington esgotadas, o governo brasileiro aposta num encontro direto entre Lula e Trump no G7 da França, na próxima semana. A cúpula deve ser usada pelo Brasil para barrar novas tarifas americanas antes que se tornem definitivas.
Para Brasília, combinar evidências científicas — como os índices apresentados nesta quinta — com pressão diplomática no nível de chefes de Estado é o caminho para reverter a narrativa de que o país não cumpre seus compromissos ambientais.
O embate tem consequências práticas: as tarifas propostas pelo USTR afetariam exportações brasileiras com a justificativa de que produtores nacionais se beneficiam de práticas ambientais ilegais — alegação que o governo contesta com os dados mais recentes do monitoramento da floresta.
