O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 1.295 km² de áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia no primeiro semestre de 2026 — o menor patamar desde que o sistema Deter passou a produzir a série histórica, em 2016.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10), apontam queda de 38% em relação ao mesmo período de 2025 e indicam o ritmo mais lento de abertura de novas áreas com perda de vegetação nativa no bioma em uma década.
Mínimo que supera o recorde anterior
O resultado de 2026 ficou abaixo do patamar registrado em 2017 — até então o mais baixo da série —, quando 1.332 km² estavam sob alerta nos seis primeiros meses. Entre os dois extremos, os números chegaram a quase 4.000 km² no primeiro semestre de 2022 e recuaram para 1.645 km² em 2024.
O Cerrado também registrou queda nos alertas: foram 3.142 km² de áreas com indícios de perda de vegetação nativa entre janeiro e junho — o menor valor para um primeiro semestre desde 2021. A redução, porém, foi muito menor: apenas 6%, contra os 38% observados na Amazônia. Mesmo com a melhora, o Cerrado segue concentrando a maior parte dos alertas: a área detectada no bioma nos seis primeiros meses foi 2,4 vezes superior à da Amazônia.
O que o Deter mede — e o que não mede
O Deter funciona como um sistema de alerta rápido: identifica, por imagens de satélite, locais onde há indícios de retirada de vegetação nativa. Os avisos orientam operações de fiscalização, mas não equivalem à taxa oficial de desmatamento, calculada anualmente pelo Prodes — outro sistema do Inpe, que faz análise mais detalhada das imagens e consolida a extensão real da área efetivamente perdida.
A queda registrada significa uma redução no ritmo de abertura de novas áreas, e não recuperação automática de floresta já perdida. Áreas derrubadas em anos anteriores continuam contabilizadas como desmatadas.
No calendário próprio do Inpe — que vai de agosto a julho e permite analisar um ciclo completo de desmatamento —, os alertas na Amazônia somaram 2.485,90 km² entre agosto de 2025 e junho de 2026, queda de 37,2% em relação ao mesmo intervalo do período anterior. No Cerrado, foram 4.689,40 km² no mesmo ciclo, recuo de 7,9%. O encerramento do ciclo 2025/2026 ocorre com a divulgação dos dados de julho.
O monitoramento do Cerrado em junho foi afetado pela presença significativa de nuvens em algumas regiões. Como o Deter depende de imagens de satélite, a cobertura de nuvens dificulta a identificação de mudanças na vegetação — fator que pode ter impactado os números do bioma no período.
A queda nos alertas reforça a tendência já registrada no Relatório Anual do MapBiomas 2025, que o presidente Lula apresentou em junho como resposta às críticas dos EUA sobre a eficácia do Brasil no combate ao desmatamento. Veja como o governo brasileiro usou os dados para rebater as acusações americanas sobre a Amazônia.
