Meio ambiente

Desmatamento na Amazônia e no Cerrado cai ao menor nível já registrado pelo Inpe

Queda chega a 41,8% na floresta e 23,7% no Cerrado, que ainda perde mais área; governo quer critérios ambientais nas licenças estaduais
Vista aérea da Amazônia e paisagem do Cerrado ilustrando a queda da taxa de desmatamento Amazônia Cerrado

A Amazônia e o Cerrado tiveram em 2026 as menores taxas de desmatamento de suas séries históricas. As estimativas são do Prodes, sistema de monitoramento por satélite do Inpe, e foram divulgadas nesta sexta-feira (16) com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Na Amazônia, a área desmatada caiu para 3.335 km², 41,8% a menos que em 2025. No Cerrado foram 5.516,69 km², recuo de cerca de 23,7%. Mesmo com a queda, o Cerrado continua perdendo mais vegetação que a floresta: em área, cerca de 65% a mais.

Onde o desmatamento se concentra

Na Amazônia, monitorada desde 1988, o número de 2026 é o mais baixo já medido. Em 2025, o bioma havia perdido 5.731 km². Três estados somam três quartos da área desmatada: Pará, com 1.130 km² (33,9%), Mato Grosso, com 849 km² (25,5%), e Amazonas, com 525 km² (15,7%).

Depois vêm Roraima (286 km²), Acre (252 km²), Rondônia (149 km²) e Maranhão (128 km²). Amapá e Tocantins registraram 8 km² cada.

No Cerrado, cuja série começa em 2001, a perda caiu dos 7.235 km² de 2025 para o menor patamar já registrado. O Maranhão lidera, com 1.718,59 km² (31,2%), seguido por Tocantins, com 1.263,06 km² (22,9%), e Piauí, com 625,24 km² (11,3%).

Na sequência aparecem Bahia (489,75 km²), Minas Gerais (467,34 km²) e Mato Grosso (454,52 km²), à frente de Goiás (210,37 km²) e Mato Grosso do Sul (208,93 km²).

Cerrado exige outra estratégia, diz ministro

Para o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, os desafios dos dois biomas são diferentes. Na Amazônia há uma grande proporção de terras públicas. No Cerrado predominam propriedades rurais onde a lei permite desmatar sob determinadas condições.

Por isso, segundo Capobianco, o governo quer direcionar a expansão agropecuária para áreas já desmatadas e aprimorar as regras estaduais que autorizam o desmatamento. Na visão do ministro, essas autorizações devem levar em conta a proteção de espécies ameaçadas, as áreas de recarga de aquíferos e os terrenos inclinados.

Tendência já aparecia em outros levantamentos

O resultado do Prodes confirma sinais vistos ao longo do ano. A queda já era indicada pelo Deter, também do Inpe, que em julho registrou o menor nível de alertas na Amazônia para um primeiro semestre desde 2016, com redução de 38%.

Em maio, o MapBiomas mostrou que o desmatamento no país havia ficado abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019, com o Cerrado respondendo por 55% da área devastada.

Na quarta-feira (14), dois dias antes do anúncio do governo, o MapBiomas também apontou que a Amazônia teve em 2025 a menor área desmatada de sua série: 693 mil hectares, dos quais 639 mil (92%) eram de vegetação primária nativa.

O mesmo estudo mostra o tamanho da perda acumulada. De 1985 a 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. No mesmo período, a área ocupada pela agropecuária cresceu 440% e chegou a 65,3 milhões de hectares, dos quais 50,8 milhões são pastagens.