O presidente Lula (PT) foi reeleito no segundo turno da eleição de 2026 e conquistou seu quarto mandato com a maior votação já recebida por um candidato a presidente no Brasil.
Com 99,95% das seções apuradas, o petista somava 64.220.485 votos. O resultado confirma a virada sobre Flávio Bolsonaro (PL), senador que havia terminado o primeiro turno na frente, com 56.104.503 votos.
Lula supera a própria marca
O recorde de votos que caiu neste domingo pertencia ao próprio Lula. Em 2022, ao derrotar Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, ele havia recebido 60.345.999 votos. Quatro anos depois, o petista ampliou esse total em quase 3,9 milhões de eleitores.
A comparação entre as duas disputas, feita pelo g1, mostra que a distância entre Lula e o adversário também cresceu. Em 2022, a vantagem sobre Jair foi de 2.139.645 votos. Agora, diante de Flávio, a diferença chegou a 4.380.093 votos, praticamente o dobro.
Margem em pontos percentuais
Em termos proporcionais, a folga passou de 1,8 ponto percentual para 3,5 pontos. Na atualização das 22h do TSE, com 99,98% das seções apuradas, Lula tinha 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro. É uma vitória mais confortável que a da eleição anterior, embora ainda distante de uma lavada e coerente com um país dividido entre os dois campos. A disputa de 2022 segue como a mais apertada de segundo turno desde a redemocratização; em 2014, Dilma Rousseff (PT) havia vencido Aécio Neves (PSDB) por 51,64% a 48,36%, diferença de 3,28 pontos.
A virada também chama atenção porque Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno e chegou ao segundo como favorito na contagem, o que torna mais expressiva a recuperação do petista nas últimas semanas de campanha. No primeiro turno, o senador teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual, ou 2.224.965 votos, a menor entre os dois primeiros colocados numa primeira votação presidencial desde 1989.
Com isso, Lula se tornou o primeiro candidato a vencer um segundo turno presidencial depois de ficar atrás no primeiro no atual período democrático. Nas sete disputas anteriores decididas em dois turnos, sempre venceu quem havia liderado a primeira votação. Entre um turno e outro, o petista, que tivera 53.879.538 votos no primeiro, acrescentou mais de 10 milhões de votos ao seu total.
Minas Gerais mudou de lado
Minas Gerais foi o único estado em que a liderança se inverteu entre os dois turnos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 48,24% dos votos válidos no estado, contra 43,33% de Lula. No segundo, com 99,76% das seções totalizadas às 21h52 de domingo, segundo dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo g1, o petista tinha 50,40% e o senador, 49,60%, diferença de 0,80 ponto percentual.
Nos outros 25 estados e no Distrito Federal, quem terminou o primeiro turno na frente manteve a liderança. Com a mudança em Minas, Lula passou a liderar em 13 estados, e Flávio Bolsonaro ficou à frente em 13 estados e no DF.
O resultado mineiro preserva uma tradição: desde 1989, todos os presidentes eleitos foram também os mais votados em Minas Gerais. Em 2022, Lula já havia vencido no estado, com 50,20% dos votos válidos contra 49,80% de Jair Bolsonaro.
Ganho de votos entre os turnos no Sudeste
Levantamento do g1 aponta que a virada se construiu, em boa parte, no maior colégio eleitoral do país. Somando São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, Lula ganhou 4,53 milhões de votos do primeiro para o segundo turno, mais que o dobro dos 1,97 milhão acrescentados por Flávio Bolsonaro nos mesmos estados. Os três concentram mais de 40% do eleitorado brasileiro, o que dá ao desempenho peso decisivo no resultado nacional.
Parte do crescimento de ambos os candidatos se explica pela queda na abstenção. Com quase 100% das urnas apuradas, a taxa recuou para 19,21% no segundo turno, ante 21,08% no primeiro, segundo o TSE, o menor nível desde 2006. Na primeira votação, cerca de 33,4 milhões de eleitores deixaram de comparecer; a redução de 1,87 ponto percentual indica maior participação na votação decisiva. O movimento ocorreu após uma campanha do PT para combater a abstenção no segundo turno, uma das prioridades da candidatura de Lula, que buscou levar às urnas eleitores que não haviam votado na primeira etapa. Os números, por si só, não permitem saber quantos dos eleitores que faltaram no primeiro turno escolheram o petista no segundo.
O que muda com o quarto mandato
Com a reeleição, Lula se torna o primeiro presidente a chegar a quatro mandatos no país e garante a continuidade do governo petista por mais quatro anos. A vitória também encerra mais um capítulo do confronto direto entre Lula e a família Bolsonaro: depois de vencer Jair em 2022, o petista agora derrota o filho do ex-presidente.
Para a oposição, o resultado pesa porque o campo bolsonarista saiu do primeiro turno em vantagem e não conseguiu mantê-la. A diferença maior que a de 2022 reduz o espaço para contestações e indica que Lula ampliou seu eleitorado entre um turno e outro.
Como foi a reta final da campanha
Na etapa decisiva, Flávio intensificou as críticas ao governo e concentrou o discurso no poder de compra, na segurança pública e no combate à corrupção. Prometeu reduzir impostos, gastos públicos e o número de ministérios, e defendeu medidas mais duras contra organizações criminosas, como o PCC e o CV. O senador reforçou a associação da candidatura ao pai, Jair Bolsonaro, adotou o slogan “O Brasil Vai Vencer” e encerrou a campanha em 24 de outubro, diante do condomínio do ex-presidente, no Rio de Janeiro.
Lula comparou os resultados de seu governo aos da gestão Bolsonaro, destacando a queda do desemprego, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e os programas sociais. Perto do segundo turno, anunciou o reajuste de 15% do Bolsa Família, o Desenrola 3.0 para renegociação de dívidas e a proposta de oferecer gratuitamente, pelo SUS, medicamentos para tratamento da obesidade. Também defendeu o fim da escala 6×1 e criticou a proximidade de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No último debate, na sexta-feira (23/10), prometeu ampliar o Pé-de-Meia e criar um Ministério da Segurança Pública, enquanto Flávio defendeu reduzir a maioridade penal para 14 anos. No último dia de campanha, Lula esteve em atos no Rio de Janeiro e na avenida Paulista, em São Paulo.
O mapa por cidades, levantamento do g1 que considera apenas municípios com 100% das seções apuradas, mostra um país dividido também no nível local: entre 5.547 municípios contabilizados, Lula foi o mais votado em 2.856 e Flávio Bolsonaro, em 2.691. Nas capitais, o petista venceu em São Paulo (55,50%), Rio de Janeiro (51,54%) e Porto Alegre (55,84%), enquanto o senador levou Belo Horizonte (50,80%), Curitiba (62,29%) e Florianópolis (51,66%).
No Nordeste, Lula liderava em Salvador, com 73,23% dos votos válidos, e Flávio foi o mais votado em Maceió (52,01%), única capital da região em que estava à frente naquela parcial. No Norte, o petista venceu em Belém e Macapá, e o candidato do PL, em Manaus, Boa Vista, Porto Velho, Rio Branco e Palmas. Flávio também foi o mais votado em Goiânia, Cuiabá, Campo Grande e Brasília.
Entre as capitais, Rio de Janeiro e Macapá foram as únicas em que a liderança mudou entre os dois turnos: nas duas, Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro, que havia sido o mais votado na primeira votação, segundo dados do TSE reunidos pelo g1. Nas outras 25, incluindo Brasília, quem terminou o primeiro turno na frente manteve a posição. Com isso, o petista passou de 11 para 13 capitais lideradas, e o senador, de 16 para 14.
A inversão na capital fluminense não se repetiu no resultado estadual: Flávio Bolsonaro permaneceu à frente no estado do Rio, com 53,10% dos votos válidos. No Amapá, ao contrário, Lula liderou tanto na capital quanto no conjunto do estado, onde recebeu 52,88%.
Os números ainda são parciais: na atualização das 22h do TSE, com 99,98% das seções apuradas, Lula somava 64.239.788 votos e Flávio Bolsonaro, 59.818.160. Os totais podem sofrer pequenos ajustes até o fim da contagem, e nenhuma mudança relevante no resultado é esperada com o restante da apuração.