Política

Reeleição de Lula reúne Macron, Putin e aliado de Trump em onda de felicitações

Governos da Europa, Ásia e Américas, incluindo Xi Jinping, reagem à reeleição de Lula; Trump questiona o pleito e Sánchez fala em virada do progressismo global
Mapa político da Europa com fitas verde e amarela: líderes mundiais parabenizam reeleição Lula

Chefes de Estado e de governo de diferentes linhas ideológicas felicitaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição, confirmada no segundo turno deste domingo (25). As mensagens continuaram chegando nesta segunda-feira (26) e também nesta terça (27), quando o presidente chinês, Xi Jinping, enviou a sua.

Na lista estão o francês Emmanuel Macron, o russo Vladimir Putin, o governo chinês e até o equatoriano Daniel Noboa, político de direita e aliado de Donald Trump na América do Sul.

Europa aposta em parceria e multilateralismo

Macron usou as redes sociais para propor o reforço da parceria estratégica entre os dois países. “A França e o Brasil têm muito a construir juntos”, escreveu o presidente francês, que defendeu manter viva a amizade bilateral “a serviço de um mundo mais justo”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se dirigiu a Lula como “amigo” e associou o resultado a uma bandeira que o brasileiro costuma levantar em discursos no exterior: “A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”.

O tom mais político veio do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que tratou a vitória como uma derrota da extrema-direita e projetou o resultado para o próprio país: “O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”. A afinidade com Sánchez não é nova: em abril, os dois lideraram em Barcelona o Fórum Democracia Sempre, criado para articular uma resposta progressista ao avanço autoritário.

Ásia mira comércio e Mercosul

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, disse esperar que Lula “continue a guiar o Brasil com sua forte liderança” e citou um acordo entre Japão e Mercosul entre as áreas em que quer estreitar a parceria estratégica global.

A China se manifestou primeiro por meio do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dizendo estar disposta a avançar na construção de “uma comunidade de futuro compartilhado” com o Brasil. Nesta terça, a agência estatal Xinhua informou que o próprio Xi Jinping enviou uma mensagem de parabéns a Lula, segundo o g1. Xi ainda não tinha se pronunciado após o resultado, e a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Putin falou em “reconhecimento dos brasileiros” às qualidades de liderança de Lula e à defesa da soberania do país no cenário global.

Américas: da direita equatoriana a Nova York

A mensagem de Noboa chama atenção pelo alinhamento do equatoriano com Washington. No X, ele afirmou que a região tem “inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar” com a cooperação. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, também cumprimentaram o brasileiro. Outros dois líderes de direita aliados de Trump, o colombiano Abelardo de la Espriella e a peruana Keiko Fujimori, reconheceram o resultado e parabenizaram o petista. Até a última atualização do g1, o argentino Javier Milei era o único da região que não havia se pronunciado.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que a relação bilateral “floresceu” e listou comércio, proteção ambiental e prosperidade como prioridades para o novo período.

Em entrevista à imprensa nesta segunda, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, contou ter visto moradores deixando um bar aos gritos do nome de Lula. “Eu vi o quanto ele significa para tanta gente nessa cidade, nesse país e por todo o mundo”, declarou. Nas redes, escreveu: “O povo unido jamais será vencido!”.

Trump questiona a eleição, e Flávio Bolsonaro não reconhece o resultado

Na contramão das felicitações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda que a eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem apresentar indício de irregularidade. Ele afirmou, porém, que gosta de Lula e que “não governa o Brasil” ao ser questionado se tomaria alguma atitude. O ex-chanceler Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, criticou as falas.

Em seu primeiro discurso após o segundo turno, Flávio Bolsonaro disse que não reconheceria o resultado e que recorreria à Justiça para pedir a anulação do pleito. Ele contestou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar a votação até as 19h nas seções ainda abertas, depois de as duas campanhas relatarem dificuldades de eleitores em diferentes regiões. O TSE afirma que apenas 35 mil pessoas votaram após as 17h.

A reeleição que motivou as felicitações, a primeira vez que um brasileiro vence quatro eleições presidenciais, foi decidida por pouco mais de 4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (51,79% a 48,21% dos votos válidos), após virada no segundo turno.