O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais votado em 2.877 municípios no segundo turno da eleição presidencial de 2026, realizado no domingo (25). O senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu em 2.694 cidades.
Os números vêm de um levantamento da Gazeta do Povo feito a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das urnas apuradas.
Placar apertado nas cidades e nas urnas
A distância entre os dois candidatos no mapa municipal é de apenas 183 cidades. Lula ficou à frente em cerca de 51,6% dos municípios contabilizados, proporção muito próxima da fatia de votos válidos que recebeu nacionalmente.
Pelos dados oficiais do TSE, Lula somou 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos. Flávio Bolsonaro ficou com 48,21%, ou 59.826.041 votos. A vantagem do petista foi de 4.430.191 votos.
A vitória de Lula veio com recorde de votos, quase 3,9 milhões a mais que em 2022, e uma vantagem de 3,5 pontos percentuais sobre Flávio. Segundo levantamento do g1, a diferença é a quarta menor em segundos turnos desde 1989, primeira eleição presidencial após a redemocratização, mas dobrou em relação ao pleito anterior: em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, por 2.139.645 votos, ou 1,8 ponto percentual. A votação de 60.345.999 votos que o petista obteve naquele ano era a maior da história até ser superada em 2026.
O desenho do primeiro turno
O resultado por município ajuda a entender a geografia da disputa. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia vencido em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula dominou o Nordeste. O mapa municipal do segundo turno detalha essa divisão cidade a cidade.
No segundo turno, Lula foi o mais votado em 13 estados, incluindo os nove do Nordeste, e Flávio venceu em 13 estados e no Distrito Federal, entre eles todos os do Sul e do Centro-Oeste.
Em comparação com o primeiro turno, o crescimento de Lula se concentrou nos maiores colégios eleitorais. Segundo levantamento do Poder360, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia somaram 5,5 milhões de votos a mais para o petista no segundo turno. O maior ganho foi em São Paulo, com 2,61 milhões de votos adicionais, seguido por Minas Gerais, com 1,16 milhão. Nesses quatro estados, Flávio ampliou sua votação em 2,05 milhões.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro ficou com 53,85% dos votos válidos no estado (14.137.519 votos), contra 46,15% de Lula (12.116.838). Ainda assim, segundo levantamento do g1, o petista ampliou sua presença no mapa paulista: passou de 39 para 72 municípios vencidos, ou 11,16% das 645 cidades, enquanto Flávio caiu de 603 para 573 (88,84%). Na capital paulista, Lula teve 55,5% dos votos (3.862.401) contra 44,5% de Flávio (3.096.588) e passou de 35 para 43 zonas eleitorais vencidas, enquanto o candidato do PL recuou de 22 para 14.
O mapa paulista também registrou disputas decididas por pouquíssimos votos. Em São João do Pau d’Alho, Lula venceu por um voto (769 a 768); em Nova Luzitânia, a vantagem de um voto foi de Flávio (1.039 a 1.038). Não houve empate em nenhum dos 645 municípios do estado, ao contrário do primeiro turno, quando Trabiju terminou empatada, com 574 votos para cada candidato. No segundo turno, Lula levou a cidade por 664 votos a 612.
Entre os extremos municipais, Flávio teve seu melhor desempenho percentual em Saltinho, com 80,22% dos votos, e Lula, em Itapura, com 68,61%.
Entre os estados, a maior vantagem de Lula foi no Piauí, onde recebeu 75,88% dos votos válidos contra 24,12% de Flávio, diferença de 51,76 pontos percentuais, segundo cálculo do g1 com base nos dados do TSE. Na Bahia, o petista terminou 42,62 pontos à frente, e Maranhão e Sergipe, com 69,54% e 69,53% para Lula, completam a lista junto com Pernambuco. Os cinco estados de maior vantagem do presidente reeleito ficam no Nordeste.
Já a maior vantagem de Flávio foi em Roraima, onde teve 72,46% contra 27,54% de Lula, diferença de 44,92 pontos. Rondônia (69,61% para o senador, 39,22 pontos de margem), Santa Catarina (38,84 pontos), Acre e Mato Grosso completam o grupo, que tem três estados da região Norte.
No outro extremo, Minas Gerais teve a disputa mais apertada: Lula venceu com 50,43% contra 49,57% de Flávio, diferença de 0,86 ponto percentual. Em seguida vem Tocantins, onde Flávio levou com 51,37% contra 48,63%, margem de 2,74 pontos.
Por região, os maiores acréscimos de Lula ocorreram no Sudeste (4,79 milhões de votos) e no Nordeste (2,95 milhões). Flávio somou 1,94 milhão de votos no Sudeste e 397 mil no Nordeste. Lula teve mais votos que no primeiro turno em todos os estados, enquanto Flávio perdeu votos em seis unidades da Federação: Acre, Amapá, Roraima, Maranhão, Amazonas e Tocantins.
No conjunto do país, segundo apuração do g1, Lula somou 10,4 milhões de votos a mais que no primeiro turno, enquanto Flávio avançou 6,6%, ou 3,7 milhões de votos. Nos seis estados em que o senador recuou, a perda total foi de 52 mil votos, e Lula acrescentou 408.963 nesses mesmos locais. Proporcionalmente, o melhor desempenho de Flávio foi entre os brasileiros no exterior, com alta de 19,2% (contra 27,2% de Lula). Entre os estados, o maior crescimento relativo do senador foi em Goiás, onde ganhou 293 mil votos (14,3%), enquanto Lula avançou 33,4%, com 396 mil votos a mais.
O g1 aponta ainda a abstenção como fator na queda de desempenho de Flávio: ela aumentou em estados-chave em que ele teve ampla vantagem no primeiro turno. Maranhão e Piauí também registraram mais abstenções em relação ao primeiro turno.
Reações e próximos passos
O equilíbrio entre os municípios reforça o retrato de um eleitorado dividido. Lideranças da esquerda comemoraram a reeleição e atribuíram o resultado à mobilização popular.
Do lado da direita, aliados de Flávio lamentaram a derrota, mas apontaram o Congresso como espaço para manter influência a partir de 2027. Lula deve iniciar o novo mandato diante de um Legislativo com forte presença de parlamentares de direita, o que tende a exigir negociação para aprovar a agenda do governo.
Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. Até a conclusão da apuração, os números oficiais do TSE confirmavam a vitória de Lula com 100% das urnas apuradas.