O mapa eleitoral brasileiro mudou de desenho no primeiro turno de 2026: o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente em 14 Estados e no Distrito Federal, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em 12 unidades da Federação.
No agregado nacional, o candidato do PL somou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Como nenhum dos dois cruzou a barreira dos 50% mais um voto, a disputa pelo Planalto fica para 25 de outubro.
Minas Gerais e Tocantins mudam de lado
A comparação com 2022 ajuda a entender o deslocamento. Dois Estados que deram vitória a Lula há quatro anos passaram para o campo bolsonarista: Minas Gerais e Tocantins. O petista, que havia vencido em 14 unidades da Federação no primeiro turno daquela eleição, caiu para 12.
O recuo é mais amplo do que a troca de cor no mapa sugere. Pelo levantamento do Poder360, Lula perdeu percentual de votos válidos em 25 unidades da Federação em relação ao pleito anterior — inclusive em Estados onde seguiu vitorioso. Segundo apuração do g1, o petista somou 53.879.538 votos neste primeiro turno, 3.379.966 a menos do que os 57.259.504 que obteve em 2022 — e a maior parte dessa queda se concentrou justamente nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais. Bahia, Rio de Janeiro e Paraná também registraram recuo. Na ponta contrária, os únicos avanços de Lula em relação a 2022 vieram do Amazonas (27.312 votos a mais), de Sergipe (27.303) e do Distrito Federal (26.093) — ganhos que, no caso do DF, assim como no Acre e em Roraima, não foram suficientes para superar Flávio Bolsonaro nesses três Estados tradicionalmente bolsonaristas.
Do outro lado, Flávio teve desempenho superior ao do pai, Jair Bolsonaro, em 26 Estados e também no voto do exterior. Em parte dessas unidades o avanço não foi suficiente para ultrapassar o adversário, mas o acúmulo nacional bastou para colocá-lo na liderança da primeira rodada. A simetria com 2022 chama atenção: Lula venceu aquele primeiro turno com números parecidos aos que Flávio obteve agora, e três Estados que concentram mais de 40% do eleitorado — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — ajudaram a definir a inversão.
Uma disputa que as pesquisas já anunciavam
O equilíbrio não nasceu na urna. Já em março o Datafolha mostrava a vantagem de Lula sobre Flávio encolher de 15 para apenas 3 pontos em três meses, trajetória que o resultado apertado de domingo acabou confirmando.
O avanço do senador veio acompanhado de reforço no Congresso: Michelle e Carlos Bolsonaro se elegeram senadores, enquanto Jair Renan e Renato Bolsonaro garantiram vagas na Câmara dos Deputados — uma bancada familiar que chega ao segundo turno junto com o candidato.
O pleito em números
Estavam aptos a votar 158.745.463 eleitores, que escolheram presidente, governador, senador e deputados federais, estaduais e distritais. Foram disputadas 27 vagas de governo estadual e 54 de senador, duas por Estado e pelo Distrito Federal.
No sistema proporcional, o pleito preencheu 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, 1.035 nas Assembleias Legislativas e 24 na Câmara Legislativa do DF, distribuídas entre partidos e federações conforme a votação de cada legenda.