Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno deste domingo (25) e foi eleito presidente do Brasil pela quarta vez. Ele virou a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) depois de ficar atrás no primeiro turno.
O petista teve pouco mais de 64,2 milhões de votos (51,79%), contra 48,21% do candidato do PL. A diferença ficou em quase 4,5 milhões de votos.
Nenhum brasileiro havia conseguido os dois feitos: reverter o resultado do primeiro turno e conquistar a Presidência pela quarta vez.
Horário estendido vira argumento da oposição
O dia de votação teve problemas no transporte público em várias cidades, como São Paulo e Salvador. Por causa das dificuldades, as campanhas dos dois candidatos pediram que a votação fosse prorrogada até as 19h.
A campanha de Lula também levou o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Cristiano Zanin o atendeu.
Em seu pronunciamento depois do resultado, Flávio Bolsonaro citou justamente essa prorrogação para dizer que não vai reconhecer o resultado das urnas.
A divisão também apareceu no mapa do país. No recorte por municípios, Lula foi o mais votado em 2.877 cidades, contra 2.694 de Flávio Bolsonaro, uma diferença de apenas 183 municípios.
Um levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que compara os votos dos dois candidatos nos dois turnos, mostra de onde veio a virada. Lula ampliou sua votação em todos os estados e no Distrito Federal, e o Sudeste concentrou o maior aumento: o petista ganhou 4,8 milhões de votos a mais na região, contra 1,9 milhão de Flávio. Com isso, a vantagem do candidato do PL no Sudeste caiu de cerca de 5,7 milhões para 2,8 milhões de votos.
São Paulo foi o estado em que os dois mais acrescentaram votos: 2,6 milhões para Lula e 1,2 milhão para Flávio. O candidato do PL venceu no estado, mas sua vantagem diminuiu de 3,4 milhões para 2 milhões de votos. Flávio também ganhou votos nas cinco regiões, mas teve menos votos no segundo turno em seis estados, em sua maioria no Norte, e em 937 municípios. Em Macapá, ele perdeu votos enquanto Lula cresceu, o que mudou a liderança na capital do Amapá.
Os três maiores colégios eleitorais, todos no Sudeste, ajudam a entender o equilíbrio da disputa. Em levantamento sobre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o g1 apurou que Lula somou 23.035.766 votos nos três estados, contra 25.549.997 de Flávio. A região reúne 41,78% do eleitorado nacional, segundo o IBGE, e São Paulo (21,48%), Minas (10,32%) e Rio (8,10%) lideram o ranking de eleitores.
Minas, visto como estado “pêndulo” da eleição, ficou com Lula por 50,43% a 49,57%. Flávio venceu em São Paulo (53,85% a 46,15%) e no Rio (53,1% a 46,9%). Nos municípios, o petista foi o mais votado em 528 cidades mineiras, contra 325 do adversário, mas perdeu no interior paulista (72 a 573) e no fluminense (18 a 74).
Nas capitais, Lula teve votação recorde em São Paulo, onde venceu por 55,5% a 44,5%, e também ganhou no Rio, com 51,54% a 48,46%. Em Belo Horizonte, Flávio levou a melhor, com 50,8% contra 49,2%.
As promessas do discurso de vitória
Lula agradeceu aos brasileiros, criticou as big techs e anunciou que a comunicação digital terá mais espaço no governo.
O presidente eleito também prometeu “fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país”.
O desafio do quarto mandato
A virada pesa ainda mais quando se olha para trás. Em março, a Quaest registrou pela primeira vez um empate numérico entre Lula e Flávio no segundo turno, com 41% cada. Antes disso, a vantagem do petista vinha caindo mês a mês.
O tamanho da tarefa do novo governo foi o tema do podcast O Assunto, do g1. No episódio, a jornalista Natuza Nery recebeu o analista político Thomas Traumann, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo, para analisar o resultado das urnas.
Lula começa o novo mandato com uma margem de pouco mais de três pontos percentuais e com um adversário que diz não aceitar o resultado. Esse quadro deve marcar os primeiros passos do governo eleito.