O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, reuniu nesta terça-feira (13) representantes das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) com um objetivo prático: reduzir o volume de ações que a Justiça Eleitoral vem recebendo das duas pontas da disputa.
O encontro foi convocado depois que o atrito entre decisões de ministros da própria corte virou o principal capítulo da campanha no fim de semana.
Derrubado, reativado e derrubado de novo
No sábado e no domingo, Nunes Marques determinou a retirada do ar do canal “Exército de Lula”, ligado à campanha petista, ainda que o assunto estivesse sob relatoria do ministro Villas Bôas Cueva em outra ação.
Foi aí que a engrenagem travou: Cueva suspendeu a decisão do presidente do tribunal, recolocou o canal no ar e remeteu o caso ao plenário, criticando a interferência da presidência em um processo que não era dela.
Nesta terça, antes de sentar à mesa com as campanhas, Nunes Marques respondeu: suspendeu a decisão do corregedor e determinou que a campanha de Lula registre o canal de WhatsApp como pertencente à campanha.
Na saída da reunião, segundo apuração do g1, Edinho afirmou, pela campanha do presidente, que há disposição para diminuir o número de medidas levadas ao tribunal — mas colocou uma condição: que a campanha de Lula não seja agredida nem ofendida e que não haja desequilíbrio na disputa.
Plataformas entram na conta
Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE e advogada de Flávio Bolsonaro, disse que as campanhas vão tentar costurar consensos e apresentar aos ministros uma proposta capaz de enxugar o número de ações. Para ela, boa parte do problema está fora do tribunal: as plataformas estariam permitindo o impulsionamento de conteúdos irregulares, e as big techs precisam moderar canais e cumprir o plano de integridade firmado para as eleições.
Do outro lado da mesa, a crítica mirou o próprio Judiciário. Edinho atacou decisões que, na avaliação dele, cerceiam manifestações nas redes sociais.
“Negar a existência hoje, de instrumentos de organização da sociedade por meio das redes sociais é não reconhecer o século XXI. No século XXI, a sociedade também se organiza por meio das redes sociais e é legítimo que a sociedade se organize”, afirmou.
O volume que o tribunal agora tenta conter não apareceu com a reta final: a 100 dias do primeiro turno o TSE já havia recebido 135 representações, mais de quatro vezes o registrado no mesmo período de 2022.