O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfrenta nesta quinta-feira (25) um dos dias mais intensos do pré-campanha de 2026: os sete ministros da corte têm até as 23h59 para votar em 28 representações de propaganda eleitoral negativa, todas reunidas em uma única sessão virtual extraordinária.
A convocação foi feita pelo presidente do TSE, Nunes Marques, que também atua como juiz auxiliar das eleições de 2026 ao lado do vice-presidente André Mendonça e da ministra Estela Aranha — os três responsáveis pelas liminares que agora chegam ao plenário para referendo.
Posts sobre Flávio Bolsonaro e crime organizado
O caso de maior repercussão política na pauta é a liminar concedida pela ministra Estela Aranha em 22 de junho. A decisão atendeu a uma representação do Partido Liberal (PL) e determinou a remoção de posts que associavam o senador Flávio Bolsonaro à Operação “Carne e Unha” da Polícia Federal, ao crime organizado e ao Comando Vermelho.
A liminar atingiu diretamente Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Guilherme Boulos. A decisão havia sido concedida no domingo (22) e obrigou os três a apagar publicações que ligavam Flávio Bolsonaro à operação e à facção criminosa. O plenário agora decide se referenda ou reverte a medida.
Pix e “mínima intervenção”: PL não consegue silenciar Lula
O segundo caso de destaque envolve declarações do presidente Lula e do ministro da Economia, Dario Durigan, sobre o Pix. Durigan afirmou que a família Bolsonaro fez um “movimento contrário ao Pix”; Lula disse que o bolsonarista “foi aos Estados Unidos” e “pediu pro Trump intervir no Pix brasileiro”.
O PL ajuizou representação alegando que as falas são inverídicas e coordenadas, pedindo retratação. O relator Nunes Marques indeferiu o pedido, argumentando que a Justiça Eleitoral deve atuar com “mínima intervenção” no debate político.
Nunes Marques concentra poderes incomuns no TSE
A sessão desta quinta reforça o protagonismo sem precedentes de Nunes Marques no ciclo eleitoral. Em maio, o presidente do TSE publicou portaria que o designou — ao lado de André Mendonça — como juiz auxiliar das eleições de 2026, papel que tradicionalmente cabe a ministros substitutos, não ao presidente do tribunal. A concentração permitiu que ele mesmo relatasse e negasse o pedido do PL sobre as falas do Pix.
O volume de 28 representações pautadas em uma única sessão de 24 horas também chama atenção. O formato virtual dá agilidade ao tribunal, mas comprime o tempo de deliberação em casos que envolvem disputas eleitorais sensíveis — e que podem afetar diretamente a narrativa da corrida presidencial de 2026.
Esta reportagem está em atualização.
