O Supremo Tribunal Federal suspendeu na terça-feira (15) a sessão que discutia uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, com base em relatório da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para se manifestar. Durante a sessão, Moraes e André Mendonça trocaram acusações públicas.
O impasse ocorre um ano e quatro dias após o STF condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Acusações cruzadas abrem crise sem precedentes
Durante a sessão, Moraes acusou Mendonça de agir a serviço de um grupo político “que quis dar um golpe neste país”. Em manifestação enviada a Fachin na segunda-feira (14), o relator da trama golpista também disse que o colega atua por interesses político-eleitorais e por “vingança” — acusação negada por Mendonça.
O relatório da PF que motivou o embate aponta mensagens entre Vorcaro e Moraes, encontros presenciais e um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro. O sigilo do documento foi retirado pelo próprio Mendonça, atual relator do caso Master, o que Moraes classificou como liberação seletiva de informações. O confronto entre os dois ministros já havia ganhado contornos formais dez dias antes, quando Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra o colega.
Fachin decidiu separar os processos e julgá-los individualmente. A análise das acusações de Moraes contra Mendonça está marcada para a próxima terça-feira (23), mas ainda há indefinição sobre a realização da sessão. Na véspera do julgamento, a Corte já discutia se o próprio Moraes poderia votar e se Mendonça teria legitimidade para relatar um caso que envolve o colega.
Um ano depois da condenação histórica de Bolsonaro
A crise ocorre um ano e quatro dias após a Primeira Turma do STF condenar Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, tornando-o o primeiro ex-presidente brasileiro condenado por tentativa de golpe de Estado. O placar da condenação, em 11 de setembro de 2025, foi de 4 votos a 1, com Luiz Fux votando pela absolvição. Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar humanitária.
No plenário desta terça, o decano Gilmar Mendes tentou adiar a análise do caso de Moraes para uma sessão conjunta com o pedido de investigação contra Mendonça, mas o placar ficou 4 a 3 pela análise separada. Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli, suspeito por foro íntimo, e nenhum dos dois votou. A repercussão do impasse já chegou à imprensa internacional, com agências descrevendo a sessão como sem precedentes a poucas semanas das eleições presidenciais.