Política

Rastreabilidade bovina divide propostas de candidatos ao governo do Pará

Hana Ghassan quer ampliar o SRBIPA com IA e drones; Daniel Santos foca em regularização fundiária e crédito rural
Hana Ghassan ao lado de carne bovina e bandeira do Pará, no debate sobre rastreabilidade bovina no Pará

Os candidatos Hana Ghassan (MDB) e Daniel Santos (PSB) apresentam propostas distintas para a rastreabilidade bovina no Pará, disputa que ganha peso com a meta de identificar 26 milhões de bovinos e bubalinos até 2030.

Enquanto Ghassan, atual governadora após a renúncia de Helder Barbalho, defende ampliar o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), Santos não cita o programa em seu plano e prioriza regularização fundiária e agroindustrialização da carne.

O que propõe Hana Ghassan

O plano de governo da candidata trata o SRBIPA como política consolidada a ser ampliada. As propostas incluem reforçar o suporte técnico para rastreabilidade e certificação das cadeias produtivas, modernizar a assistência técnica rural e fortalecer a defesa agropecuária com inteligência artificial, drones, imagens de satélite e georreferenciamento de propriedades.

Ghassan também propõe conectar o SRBIPA a outras políticas em curso, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), programas de regularização ambiental e o Cheque Pecuária, voltado à recuperação de pastagens degradadas. A integração de bases, porém, esbarra em obstáculo já mapeado: um estudo do WRI Brasil mostrou que os sistemas de rastreabilidade do país são sofisticados, mas operam de forma desconectada.

Daniel Santos aposta em regularização fundiária

Dr. Daniel Santos não menciona o programa Pecuária Sustentável nominalmente, mas defende medidas que dialogam com parte de sua infraestrutura: adequação de cursos técnicos às vocações regionais, ampliação do acesso a crédito e seguro rural, e fortalecimento da agroindustrialização da cadeia da carne bovina e bubalina.

Convergências e um programa sob pressão

Apesar das diferenças, os candidatos convergem em pontos como a defesa da “segurança jurídica e ambiental”, que une regularização fundiária a facilidades de crédito, seguro e recuperação ambiental, e o uso de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e mercado de carbono para remunerar quem preserva a vegetação nativa. Santos amplia o público beneficiário a povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas, enquanto Ghassan fala apenas em “quem conserva a floresta”.

A disputa ocorre em momento delicado para o programa: o governo já adiou o prazo original, de 2025 para 2030, depois de identificar menos de 2% do rebanho. Para cumprir a nova meta, cada um dos 403 agentes credenciados precisaria identificar 64 bovinos por dia útil, ritmo que expõe o desafio à espera do próximo governador. Procurada, a assessoria de Daniel Santos não respondeu a pedido de esclarecimentos sobre a condução do programa.