A Operação Resgate VI, força-tarefa nacional de combate ao trabalho escravo, resgatou 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão ao longo de agosto, em ações realizadas em 19 estados brasileiros.
Coordenada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio do MPT, MPF, DPU e Polícia Federal, a operação também flagrou 15 crianças e adolescentes em trabalho infantil, 13 deles em condição análoga à escravidão.
Minas Gerais concentra quase metade dos casos
Das 231 ações de fiscalização realizadas entre 1º e 31 de agosto, Minas Gerais respondeu sozinho por 208 resgates, ou 43,4% do total nacional. São Paulo aparece em seguida, com 58 casos, seguido por Amazonas (42), Piauí (40) e Rio Grande do Norte (37). Por região, o Sudeste concentrou 55,7% dos trabalhadores resgatados, à frente do Nordeste (28,1%), Norte (10,5%), Sul (3,6%) e Centro-Oeste (1,9%).
O estado mineiro já vinha sendo alvo de flagrantes recorrentes: em 2025, 59 trabalhadores foram resgatados de fazendas de café mineiras em condições análogas à escravidão.
As atividades rurais somaram 61% das fiscalizações e 292 resgates, com destaque para o cultivo de café (53 casos), cebola (47) e batata (44). A construção civil, porém, foi o setor com mais trabalhadores retirados de condições degradantes: 85 casos, número que ecoa o resgate de mais de 500 trabalhadores em uma obra no Mato Grosso em 2025, um dos maiores flagrantes já registrados no setor.
Os empregadores flagrados tiveram de rescindir contratos, formalizar vínculos retroativamente e pagar verbas rescisórias, além de R$ 675,5 mil em indenizações por danos morais individuais e R$ 455,5 mil por danos morais coletivos. Foram firmados três Termos de Ajustamento de Conduta, e outras quatro ações civis públicas estão em fase de ajuizamento.
Terceira maior edição da série histórica
Iniciada em 2021, a Operação Resgate já teve edições maiores em número absoluto de vítimas: 594 trabalhadores em 2024 e 532 em 2023. Ainda assim, o resultado de agosto é 230,3% superior ao da primeira edição, quando 145 pessoas foram retiradas de condições análogas à escravidão.
Especialistas apontam que o número de resgates poderia ser maior com um quadro de fiscalização mais robusto. O Brasil tem hoje cerca de 2,8 mil auditores-fiscais do trabalho na ativa, enquanto recomendações internacionais indicam a necessidade de ao menos 5,5 mil profissionais.
Direitos garantidos às vítimas
Todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, pago em três parcelas de um salário mínimo, além de encaminhamento à rede de assistência social. A responsabilização não se limita às operações de resgate: em abril, o Ministério Público do Trabalho processou a JBS em R$ 118 milhões por trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento no Pará.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, disponível na internet, sem necessidade de identificação do denunciante.