O Departamento de Estado dos Estados Unidos não enviou parabéns ao Brasil pelo Dia da Independência, celebrado na segunda-feira (7), pelo segundo ano consecutivo.
Um levantamento do g1 mostra que os EUA parabenizaram mais de 180 países nos últimos 12 meses — o Brasil está entre apenas dez nações ignoradas, ao lado de Coreia do Norte e Irã.
A omissão ocorre em meio à crise diplomática entre os dois países, agravada por tarifas, sanções e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Uma crise que se arrasta desde 2025
As relações entre Brasília e Washington começaram a azedar em julho de 2025, quando o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, justificando a medida como resposta ao que chamou de caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em agosto, a crise diplomática atingiu um novo patamar: os EUA revogaram o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti em retaliação à recusa do Itamaraty em conceder agrément ao indicado americano Daniel Perez. A medida foi vista como uma nova escalada da tensão bilateral.
Em maio, o governo Trump havia classificado as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas — decisão anunciada dias depois de o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.
Semanas depois vieram novas tarifas: 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, e mais 12,5% relacionados a alegações de práticas comerciais desleais e falta de combate ao trabalho forçado.
Itamaraty reage e nomeação de embaixador gera desgaste
Em nota, o Itamaraty classificou a revogação do visto como parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo.
Segundo o blog da Ana Flor, a indicação de Daniel Perez ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil, feita em junho, já havia causado mal-estar no governo brasileiro por ter sido anunciada antes de consulta reservada às autoridades do país.
O desgaste, porém, não é recente: já em julho de 2025 o Itamaraty havia alertado formalmente a embaixada americana sobre o impacto negativo das medidas de Trump na relação bilateral — um aviso que o governo dos Estados Unidos optou por ignorar.
Em entrevista no fim de agosto, Perez afirmou que não pretende se envolver nas eleições presidenciais de outubro e disse que trabalhará por um acordo comercial benéfico para os dois países — uma sinalização de possível distensão, ainda sem efeitos práticos até o momento.