A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou em setembro um estudo que recomenda a adição de corante verde ao etanol hidratado vendido nos postos a partir de 2027.
A medida provisória busca dificultar o uso do combustível na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas, alvo de fiscalização após mortes por metanol em 2025.
Como solução definitiva, a ANP avalia ainda acrescentar benzoato de denatônio, substância de sabor amargo, ao etanol vendido em todo o país.
Por que a mudança foi proposta
O estudo foi encomendado após uma onda de intoxicações por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas registrada em 2025, quando a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a origem do metanol usado em bebidas que mataram três pessoas e intoxicaram outras seis em São Paulo. A avaliação da ANP atende a uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), que auditou a prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas.
Como solução definitiva, a agência propõe a adição obrigatória de benzoato de denatônio ao etanol hidratado. A substância, já usada em produtos de higiene e limpeza para evitar ingestão acidental, tem sabor extremamente amargo e poderia ser percebida pelo consumidor caso o combustível fosse usado para adulterar bebidas. Não há, porém, precedente de seu uso em etanol destinado a motores, e a ANP ainda vai testar se ela compromete peças dos veículos ou aumenta as emissões — cuidado que ganha peso porque o próprio metanol fora dos padrões já havia causado corrosão e falhas graves em motores identificadas pela agência.
Próximos passos e quem participou do estudo
Enquanto os testes do benzoato de denatônio não terminam, a ANP vai revisar a legislação para tornar obrigatória a adição de corante verde ao etanol hidratado diretamente nas usinas. A norma deve prever um período de transição para adaptação do setor, com meta de entrar em vigor em 2027.
O levantamento reuniu produtores de etanol, distribuidores de combustíveis líquidos, fornecedores de corantes, empresas de inspeção de qualidade, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Câmara Setorial da Cachaça, do Ministério da Agricultura. No início de setembro, o relatório final foi enviado ao Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, e também ao TCU.