Um grupo de 157 personalidades — entre empresários, economistas e ex-autoridades — lançou nesta quarta-feira (9) o manifesto Pela Lei e pelo Brasil, que cobra apuração dos fatos e ética no Supremo Tribunal Federal (STF).
A carta chega em meio à crise institucional provocada pelas investigações da fraude no Banco Master, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e levantou suspeitas sobre a conduta de ministros do STF, da Polícia Federal e do Ministério Público.
Os pedidos do manifesto
O documento reúne assinaturas de personalidades como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, os economistas André Lara Resende, Gustavo Franco, Persio Arida e Elena Landau, a ex-secretária do Tesouro Ana Paula Vescovi e o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega. Empresários como Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, Diego Barreto, CEO do iFood, e o apresentador Luciano Huck também assinam a carta.
O texto lista três exigências às instituições: apuração completa, célere e independente dos fatos; afastamento cautelar de quem for formalmente investigado; e adoção de um código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação. O grupo já se mobilizara em dezembro de 2025 pela mesma pauta — o presidente do STF, Edson Fachin, chegou a prometer a aprovação do código ainda em 2026, promessa que os signatários agora cobram como urgência inegociável.
Segundo o manifesto, as suspeitas alcançam ministros do Supremo, cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, do Congresso e núcleos próximos ao ex-presidente e ao atual presidente da República. O grupo classifica a crise como consequência de um “sistema doente” que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe aos demais.
Repercussão institucional
O manifesto se soma a outras cobranças feitas no mesmo dia: entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgaram carta própria exigindo resposta urgente à crise.
A pressão pelo código de ética já tinha sinalização do próprio Supremo. Em agosto, o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Master, declarou apoio à proposta, mas indicou que o texto só avançaria depois das eleições de outubro — prazo que os signatários consideram incompatível com a gravidade da crise.
A desconfiança na independência das investigações vinha se acumulando desde março, quando veio à tona que a Polícia Federal poderia fechar a delação de Vorcaro sem a participação da PGR, com aval de Mendonça — episódio citado como um dos gatilhos da crise de confiança apontada pelo manifesto.
No encerramento, os signatários reforçam que a mobilização não é “contra pessoas”, mas “em favor do Brasil” e da regra de que ninguém está acima da lei — mensagem reiterada às vésperas das eleições presidencial, legislativa e estadual de outubro.