Meio ambiente

El Niño vai se intensificar e ficar muito forte até fevereiro de 2027

OMM prevê pico do fenômeno em dezembro, com aquecimento do Pacífico batendo recordes recentes
Mapa térmico mostra anomalias do El Niño muito forte 2027 em vermelho e laranja sobre o Pacífico

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço climático da ONU, confirmou nesta quinta-feira (3) que o El Niño deve se intensificar até atingir força muito forte, com pico previsto para dezembro de 2026.

Segundo a agência, a probabilidade de o fenômeno permanecer ativo entre setembro e fevereiro de 2027 é de quase 100%, sem qualquer sinal de retorno da La Niña ou de condições neutras no período.

O aquecimento que sustenta a previsão

Os números mostram uma aceleração rápida. Na região Niño 3.4, faixa do Pacífico Equatorial usada para medir a evolução do fenômeno, a temperatura da superfície do mar estava 0,9°C acima da média em maio. Em julho, a diferença já chegava a 2°C, e entre o fim de julho e meados de agosto os registros semanais oscilaram entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal.

O calor não fica só na superfície. Abaixo dela, a água chegou a ficar mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto — um reservatório de calor que o Met Office já havia apontado como o principal combustível da intensificação sem precedentes do El Niño.

De 80% a quase 100% de certeza

A confiança da OMM cresceu rapidamente nos últimos meses. Em junho, a mesma agência estimava 80% de chance de formação do El Niño — percentual que levou o governo federal a montar um gabinete de crise climática. Agora, a projeção é de quase 100% de permanência do fenômeno até fevereiro de 2027, com condições neutras ou La Niña praticamente descartadas.

Os modelos climáticos indicam que a anomalia média da região Niño 3.4 pode chegar a 3,6°C entre setembro e novembro, com o fortalecimento máximo entre novembro e dezembro. A projeção isolada para novembro chega a 3,9°C acima da média — um valor estimado, sujeito a margem de incerteza.

A OMM faz uma ressalva importante: a intensidade do El Niño, isoladamente, não permite prever o tamanho dos impactos em uma cidade, país ou região específica. Fatores como o Dipolo do Oceano Índico e a temperatura do Atlântico Equatorial também vão pesar na resposta climática dos próximos meses.

Para a América do Sul, a projeção de setembro a novembro aponta calor mais intenso entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul. Nas chuvas, o padrão deve ser desigual: volumes abaixo da média no noroeste e no norte do continente, e acima da média no sudeste sul-americano — no Brasil, isso costuma significar Norte mais seco e Sul mais chuvoso.

A trajetória do fenômeno já vinha sendo monitorada de perto. Em junho, a NOAA confirmou a formação do El Niño, e a dúvida deixou de ser se o fenômeno existiria, passando a ser até onde iria sua intensidade. Com o pico estimado para dezembro, especialistas apontam que o principal efeito esperado no país é o aumento de períodos prolongados de calor na primavera e no verão.

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