A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço climático da ONU, confirmou nesta quinta-feira (3) que o El Niño deve se intensificar até atingir força muito forte, com pico previsto para dezembro de 2026.
Segundo a agência, a probabilidade de o fenômeno permanecer ativo entre setembro e fevereiro de 2027 é de quase 100%, sem qualquer sinal de retorno da La Niña ou de condições neutras no período.
O aquecimento que sustenta a previsão
Os números mostram uma aceleração rápida. Na região Niño 3.4, faixa do Pacífico Equatorial usada para medir a evolução do fenômeno, a temperatura da superfície do mar estava 0,9°C acima da média em maio. Em julho, a diferença já chegava a 2°C, e entre o fim de julho e meados de agosto os registros semanais oscilaram entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal.
O calor não fica só na superfície. Abaixo dela, a água chegou a ficar mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto — um reservatório de calor que o Met Office já havia apontado como o principal combustível da intensificação sem precedentes do El Niño.
De 80% a quase 100% de certeza
A confiança da OMM cresceu rapidamente nos últimos meses. Em junho, a mesma agência estimava 80% de chance de formação do El Niño — percentual que levou o governo federal a montar um gabinete de crise climática. Agora, a projeção é de quase 100% de permanência do fenômeno até fevereiro de 2027, com condições neutras ou La Niña praticamente descartadas.
Os modelos climáticos indicam que a anomalia média da região Niño 3.4 pode chegar a 3,6°C entre setembro e novembro, com o fortalecimento máximo entre novembro e dezembro. A projeção isolada para novembro chega a 3,9°C acima da média — um valor estimado, sujeito a margem de incerteza.
A OMM faz uma ressalva importante: a intensidade do El Niño, isoladamente, não permite prever o tamanho dos impactos em uma cidade, país ou região específica. Fatores como o Dipolo do Oceano Índico e a temperatura do Atlântico Equatorial também vão pesar na resposta climática dos próximos meses.
Para a América do Sul, a projeção de setembro a novembro aponta calor mais intenso entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul. Nas chuvas, o padrão deve ser desigual: volumes abaixo da média no noroeste e no norte do continente, e acima da média no sudeste sul-americano — no Brasil, isso costuma significar Norte mais seco e Sul mais chuvoso.
A trajetória do fenômeno já vinha sendo monitorada de perto. Em junho, a NOAA confirmou a formação do El Niño, e a dúvida deixou de ser se o fenômeno existiria, passando a ser até onde iria sua intensidade. Com o pico estimado para dezembro, especialistas apontam que o principal efeito esperado no país é o aumento de períodos prolongados de calor na primavera e no verão.