Política

AGU recorre ao TST contra exclusão de caso de escravidão da lista suja

Sônia, surda, foi mantida por 37 anos na casa de um desembargador antes de ser resgatada em 2023 em Florianópolis
Fachada do TST, onde a AGU recorre contra exclusão de caso da lista suja trabalho escravo

A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para restabelecer a inclusão da família de um desembargador catarinense na lista suja do trabalho escravo.

O pedido contesta decisão do TRT-12 que anulou parte do processo administrativo que resgatou Sônia Maria de Jesus, mulher surda mantida em serviço doméstico por 37 anos em Florianópolis.

Para a AGU, a decisão abre um precedente que enfraquece a fiscalização do trabalho escravo em todo o país.

Uma vida inteira de trabalho não reconhecido

Sônia foi resgatada em junho de 2023 por auditores-fiscais do trabalho na casa do desembargador Jorge Luiz de Borba, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, onde vivia desde a adolescência. Surda e sem nunca ter aprendido Libras, ela realizava tarefas domésticas havia 37 anos sem qualquer vínculo formalizado.

O processo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) levou à inclusão do nome da família na lista suja, cadastro semestral que reúne empregadores flagrados em condições análogas à escravidão. O TRT-12, no entanto, anulou parte da decisão administrativa por entender que houve violação ao contraditório: a confirmação do auto de infração foi comunicada diretamente à esposa do desembargador, Ana Cristina Gayotto de Borba.

A AGU argumenta que a notificação seguiu os trâmites legais e que a exigência criada pelo tribunal regional não tem previsão em lei. Segundo o órgão, a decisão contraria entendimento do Supremo Tribunal Federal e compromete a efetividade das políticas de combate ao trabalho escravo. A família nega a escravidão e afirma que Sônia foi acolhida com tratamento igual ao dos filhos do casal.

Casos semelhantes expõem um padrão

A defesa baseada em vínculo afetivo não é exclusividade do caso catarinense. Em Fortaleza, a Justiça condenou um casal por manter uma idosa em regime análogo à escravidão por quase quatro décadas, também sob a alegação de que a vítima seria tratada como parte da família.

A atuação da AGU em processos ligados à lista suja já gerou controvérsia em outra frente: o órgão emitiu parecer que permitiu ao ministro do Trabalho revisar pessoalmente um processo que poderia incluir a JBS no mesmo cadastro, episódio que alimentou debate sobre a autonomia da fiscalização trabalhista.

Enquanto o TST não julga o recurso, o nome da família do desembargador segue fora da lista suja, e o caso de Sônia permanece como um dos mais emblemáticos sobre trabalho escravo doméstico no Brasil.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Lula assina decreto contra cambismo digital na venda de ingressos

Estrategista de Bolsonaro e Milei é preso na Bolívia por atentado

MPF reitera impugnação da candidatura de Arruda ao governo do DF

Governo lança política para padronizar biometria em aeroportos e portos

Ministério da Defesa alerta que reciprocidade contra EUA ameaça contratos e tecnologia

Bruno Dantas renuncia ao TCU e abre vaga para Rodrigo Pacheco