O ministro Bruno Dantas comunicou nesta segunda-feira (31) ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, sua decisão de deixar o cargo em caráter irretratável, com efeito a partir de 9 de setembro.
A vaga é da cota do Senado Federal, e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, articula a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o posto, que garante permanência até os 75 anos de idade.
Reaproximação com Lula destrava a indicação
Alcolumbre defendia a ida de Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O presidente Lula, porém, indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, derrotado no Senado — episódio que rompeu a relação entre o Planalto e o presidente da Casa. O rompimento travou por meses a agenda prioritária do governo no Congresso.
Neste mês de agosto, os dois voltaram a se falar. O encontro entre Lula e Alcolumbre no Palácio do Alvorada reaproximou os dois lados e destravou pautas no Senado — bastidor que, segundo interlocutores do presidente da Casa, também abriu espaço para negociar a vaga de Dantas no TCU.
Pacheco abandonou disputa eleitoral
Pacheco desistiu de concorrer a qualquer cargo eletivo em 2026. Chegou a ser cogitado por Lula para o governo de Minas Gerais, mas recusou. Antes disso, chegou a avaliar até uma troca de partido para disputar o Executivo mineiro, plano que foi ficando de lado até a confirmação da vaga no tribunal de contas.
A definição ocorre na última semana de votações no Congresso Nacional antes das eleições de 2026. Compromissos de campanha diminuem, e parlamentares concentram esforços em pautas que o presidente Lula considera prioritárias, na busca pela reeleição.
Entre os temas está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, enviada por Alcolumbre à Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 21 de agosto, após quase três meses de espera do governo. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), manteve o texto como veio da Câmara dos Deputados.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também candidato à Presidência, tentam adiar a votação para depois do pleito. Ainda assim, senadores avaliam que o texto deve ser aprovado em plenário caso avance, dada a proximidade das eleições. Depois desta semana, o Congresso só retoma atividades em novembro.